Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight, Melk Costa revelou que chegou a sofrer com crises de ansiedade durante este período inativo no UFC. Isso porque, além da falta de lutas, o peso-pena (66 kg) brasileiro se viu em um impasse sobre sua renovação contratual com o Ultimate e passou a temer pelo fim de sua trajetória na entidade.
“Não sei explicar (o porquê da demora). Eu fiz minha última luta do contrato, quando lutei com o Shayilan (Nuerdanbieke), e estava esperando a renovação. Falaram que estava vindo, mas não chegava. Começou a ficar ruim para mim. Não conseguia mais dormir à noite, tive crise de ansiedade pesada. Ainda mais quando eu abria o Instagram, o Twitter e via lá ‘o UFC demitiu fulano de tal’ (risos). Foi louco. Mas graças a Deus chegou (a renovação contratual), aí marcaram (a luta) em menos de um mês”, contou Melk.
Hora de recuperar o tempo perdido
Passado o susto e de contrato renovado, Melk Costa visa recuperar o tempo perdido, principalmente no âmbito financeiro. Se antes, durante o período sem lutas, o atleta paraense cogitou voltar a atuar como professor de artes marciais e, até mesmo, motorista de aplicativo, agora o peso-pena tem como objetivo estar o mais ativo possível.
“No mínimo quatro (lutas esse ano), tenho que ganhar dinheiro. Eu já estava pensando em abrir uma coisa de aplicativo, tipo Uber, já estava pensando em voltar a dar aula, que é uma parada que eu tinha bastante problema porque acordava muito cedo, fiquei um pouco com trauma (risos). Eram opções que eu já estava vendo porque não tinha luta, não tinha dinheiro, o dinheiro estava acabando, empurrando com a barriga. Graças a Deus caiu essa luta, renovei meu contrato… Na hora que eu assinei meu contrato de renovação foi quando eu respirei de novo. Então, esse ano eu quero ficar bastante ativo”, concluiu.
Melquizael Costa estreou no UFC em janeiro de 2023, com uma derrota para o compatriota Thiago Moisés. Na sequência, o lutador paraense, de 28 anos, intercalou resultados positivos e negativos, somando dois triunfos e um revés na organização. Ao todo, Melk possui um cartel profissional de 21 vitórias e sete derrotas no MMA.
Sem atuar desde outubro do ano passado, quando perdeu a oportunidade de reconquistar o cinturão peso-leve (70 kg) do Ultimate ao ser finalizado por Islam Makhachev, Charles ‘Do Bronx’ retorna ao octógono no próximo dia 10 de junho, para encarar Beneil Dariush, pelo co-main event do UFC 289, em Vancouver, no Canadá. E o período relativamente longo afastado da ação parece ter sido fundamental para o lutador paulista recarregar as energias.
Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight (clique aqui), Do Bronx destacou a importância de ter tirado suas primeiras férias da carreira e associou o período de descanso à ‘fome’ de voltar a ser campeão do UFC. O atleta da ‘Chute Boxe Diego Lima’ ainda reconheceu que o tempo longe do octógono serviu para uma autorreflexão sobre sua vida profissional e pessoal.
“Eu parei muito nesses últimos três meses que passei de férias. Eu nunca tinha tirado férias na minha vida. Comecei a treinar com 10, 11 anos de idade e hoje com meus 33 anos de idade nunca tinha pensado em tirar férias. E a gente pensou muito sobre tudo que eu tinha conquistado, sobre tudo que tinha vencido na vida. Um moleque que saiu de dentro da favela para o mundo e que estava conquistando. Se era isso que eu queria para a minha vida ou se eu queria parar. Não! Ainda tem muita lenha para queimar, ainda tem muita coisa para acontecer. Vou me tornar campeão de novo do UFC. Eu tenho a maior certeza disso”, afirmou Charles.
“Estou vivendo a minha vida, estou feliz, muito focado. Estou tentando tirar as pessoas que só querem ficar sugando, só querem ficar tirando proveito, e tentando ficar mais perto das pessoas que me amam verdadeiramente. Venho acreditando nesse sonho gigantesco de me tornar campeão de novo, nesse timing de estourar a bolha do MMA e crescer cada vez mais, de deixar um legado. E tudo isso que está acontecendo. Eu chego nos lugares e as pessoas falam que eu estou mais feliz, eu saio dos lugares e as pessoas comentam da minha felicidade. Isso é o mais importante”, concluiu.
No último sábado (10), Darren Till sofreu uma dura derrota no UFC 282. Diante de Dricus Du Plessis, o lutador inglês emplacou sua terceira derrota consecutiva na companhia – a quinta nos últimos seis duelos. A má fase, aliada a performance abaixo da média na ‘T-Mobile Arena’, em Las Vegas (EUA), ligou o alerta de seus fãs. Mas logo após o show, ‘The Gorilla’ fez questão de afastar a possibilidade de se aposentar no momento.
Em vídeo publicado em suas redes sociais (veja abaixo ou clique aqui), Till refletiu sobre o momento de sua carreira e se desculpou com os torcedores que o acompanham. Com as marcas do duelo ainda no rosto, o atleta de Liverpool admitiu que pode ficar um período afastado dos octógonos, para refletir sobre sua fase no esporte.
“Nem sempre conseguimos o que queremos nessa vida. É duro. Tenho 29 anos, p***. Estive no topo do esporte desde 2017, entrei no UFC em 2015. Não estou aposentado, não é um discurso de aposentadoria. Tenho 29, seria estúpido. Estou numa sequência de derrotas no momento, não estou me achando (…) Só quero dizer – queira você me ame ou odeie -, me desculpe. Tentei dar um show (…) Não sei o que fazer agora, mas acho que vou tirar um período afastado do UFC e repensar as coisas. Não estou aposentado, quero lutar ano que vem. Mas agora só quero passar o Natal com minha família e amigos”, afirmou Till.
Ex-desafiante do cinturão dos meio-médios (77 kg), Darren não conseguiu repetir o sucesso de outrora depois que subiu de divisão e passou a competir entre os pesos-médios (84 kg). Aos 29 anos, o inglês soma 18 vitórias, cinco derrotas e um empate como profissional de MMA.
Atual campeão peso-pesado do UFC, Francis Ngannou se submeteu a uma cirurgia no joelho na última sexta-feira (18) e deve ficar alguns meses afastado de suas atividades profissionais. A previsão é que a recuperação leve por volta de nove meses, o que deixaria um retorno ainda em 2022 improvável. A notícia foi divulgada pelo próprio lutador camaronês, que comemorou o sucesso do procedimento, através de suas redes sociais (veja abaixo ou clique aqui).
De acordo com o campeão, durante a operação, a equipe médica reconstruiu seu ligamento cruzado anterior e reparou o ligamento colateral medial, além de não ter detectado nenhum dano estrutural no menisco do joelho. A lesão de Ngannou ocorreu durante a preparação para sua última defesa de título, realizada em janeiro deste ano, contra Ciryl Gane, no UFC 270.
Apesar de contundido, o camaronês – que subiu ao octógono com duas joelheiras de proteção – conseguiu sair vitorioso, muito por conta da estratégia de privilegiar seu wrestling, e manteve o cinturão peso-pesado do UFC sob seu poder.
“Cirurgia no joelho correu muito bem hoje (reconstrução do LCA e reparação do LCM). PS: sem dano no menisco. Obrigado, Dr Alattrache e equipe por cuidarem tão bem de mim. Sinceramente, O Rei”, escreveu Francis.
Além do longo período de recuperação após a cirurgia, que pode durar em torno de nove meses, Francis Ngannou trava uma batalha nos bastidores com o UFC, em busca de uma valorização salarial, o que tem emperrado sua renovação contratual com a liga. Recentemente, o camaronês fez sua última luta prevista no acordo anterior e agora seguirá vinculado ao Ultimate por um ano – até janeiro de 2023 – por conta de uma cláusula contratual.
Por conta da potencial ausência prolongada do atual campeão do peso-pesado de sua organização, Dana White – presidente do UFC – já cogita inserir uma disputa pelo cinturão interino da categoria no cronograma da liga nos próximos meses. Um dos favoritos para competir pelo título temporário é o ex-campeão dos meio-pesados (93 kg) Jon Jones, que tem se preparado nos últimos anos para subir de divisão.
Knee surgery went very well today ( ACL reconstruction and MCL repare).
PS: no meniscus damage 🙏🏽
Thank you to Dr Alattrache and staff for taking great care of me.
Sem pisar no octógono desde 2017, Antônio Braga Neto deve voltar a se apresentar diante de Deron Winn, no dia 19 de dezembro, em evento do UFC ainda sem sede definida, mas que deve acontecer em Las Vegas (EUA). A confirmação da luta foi anunciada pelo próprio adversário do brasileiro, em sua conta oficial no ‘Instagram’ (veja abaixo ou clique aqui).
Braga Neto atua pelo UFC desde 2013, mas realizou apenas três combates nos sete anos de trajetória na organização. Após estrear com vitória sobre Anthony Smith, o brasileiro sofreu duas derrotas seguidas, para Clint Hester e Trevin Giles, respectivamente. Bicampeão mundial de jiu-jitsu, o capixaba soma nove triunfos, sendo sete por finalização, três reveses e um ‘no contest’ (luta sem resultado) em sua carreira no MMA profissional.
Já seu adversário, Deron Winn, cumpre atualmente suspensão de nove meses aplicada pela USADA por ter testado positivo para anfetaminas em exame antidoping. A punição se encerra no dia 7 de dezembro, ou seja, a tempo do americano enfrentar Braga Neto. O especialista em wrestling migrou para o MMA em 2017 e acumula seis vitórias e duas derrotas. Pelo UFC, ele possui um triunfo e dois reveses.
“Contrato assinado! Dia 19 de dezembro eu retorno ao octógono contra o especialista em jiu-jitsu brasileiro Antonio Braga Neto. Eu fiz questão de mudar e melhorar muitas coisas em minha vida durante o período afastado. Estou muito animado para mostrar a todos vocês as coisas que eu tenho trabalhado por trás de portas fechadas. Eu apenas quero que todo mundo mantenha a mesma energia comigo porque quando eu começar essa corrida, eu não quero que você se mude a mim”, escreveu Deron Winn.
Whittaker perdeu o cinturão peso-médio do UFC para Israel Adesanya – Pranay Dutt/PXImages
O recente desabafo de Robert Whittaker, que justificou sua desistência do combate contra Jared Cannonier ao citar o esgotamento físico e mental provocado pelo esporte, recebeu a aprovação de outro ex-campeão peso-médio (84 kg) do UFC. Assim como o australiano, Luke Rockhold também sentiu a necessidade de se afastar por um período do MMA e, desde sua última luta, flerta com uma possível aposentadoria, ainda que dê sinais de que um retorno aos octógonos possa acontecer.
Ao ‘Submission Radio’, o americano defendeu a decisão de Whittaker. Para ele, o fato do australiano ter uma família, com esposa e filhos, ao contrário dele, aumenta ainda mais a pressão interior por se afastar, ainda que momentaneamente, do esporte. E, aos que pensam que estar no topo traz apenas coisas positivas, Rockhold admitiu que o peso e a expectativa criada pelos outros talvez seja maior do que a recompensa em si.
“As pessoas querem falar m*** de longe e não entendem o que é lutar. Chegar ao topo do mundo e lutar nessas guerras que Whittaker lutou e ter uma família. Eu não consigo imaginar o que isso faz com você. Você não quer fazer isso para sempre. É por isso que eu nunca realmente introduzi uma família a esse estilo de vida, porque é muito para lidar e eu vejo muita gente que não consigo entender como consegue administrar isso”, ponderou Rockhold, antes de comentar sobre a constante busca pela motivação, mesmo após atingir o auge de sua carreira.
“Eu acho que é apenas encontrar aquela fome uma vez que você chega ao topo do mundo. Você chegou lá, fez o que tinha que ser feito, o que mais você quer? Não é para todo mundo continuar seguindo esse caminho. Eu sinto que tinha um peso tremendo nos meus ombros e é por isso que eu consigo ver onde Whittaker teria – ele provou isso, defendeu isso, ele fez isso algumas vezes e se provou. Então, encontrar essa motivação e essa fome para continuar com a mesma paixão. Eu acho que essa é a grande chave”, explicou o ex-campeão.
O hiato das lutas parece ter ajudado Rockhold a reencontrar a paixão pelo esporte. Ainda que não crave totalmente sua volta, o ex-campeão parece remar para essa direção em suas declarações recentes. Por sua vez, Robert Whittaker, ao contrário do americano, não chegou a cogitar publicamente sua aposentadoria. Portanto, é de se esperar que o australiano retorne aos octógonos em algum momento no futuro.
Thomas Almeida fez sua última luta pelo UFC em janeiro de 2018 – Diego Ribas
Recuperado da séria lesão no olho esquerdo que o afastou dos octógonos por um longo período, Thomas Almeida tem um objetivo claro em sua mente: voltar a lutar o mais breve possível, de preferência no evento do UFC especulado para acontecer em São Paulo, sua cidade natal, em maio. Os mais de dois anos longe das competições podem gerar dúvidas do público sobre suas condições para o retorno, mas, de acordo com o peso-galo (61 kg) brasileiro, sua evolução como lutador não parou de acontecer mesmo durante o tempo em que não podia sequer treinar por recomendações médicas.
Afastado dos octógonos desde janeiro de 2018 – quando foi derrotado por Rob Font, no UFC 220 -, ‘Thominhas’ revelou, em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, que busca uma vaga no card do próximo evento do Ultimate em São Paulo, que, segundo especulações, deve acontecer no dia 9 de maio. O peso-galo, que passou por uma cirurgia em seu olho esquerdo no início do ano passado, pretende provar que o hiato, forçado pela lesão, não vai atrapalhar sua carreira daqui para frente. Apesar do longo processo de recuperação, e de até mesmo ter passado dois meses sem ter autorização médica para treinar, o brasileiro procurou se manter conectado com o esporte de outras formas, como a análise de combates de seus ídolos e dos possíveis adversários da categoria.
“Nesse período que você fica sem fazer nada, você tem que fazer sua chama reacender. É muito difícil porque a gente está acostumado a ter uma vida ativa, sempre treinando, lutando, e entra esse período, que é uma coisa atípica. Mas eu tentava estar sempre com a minha cabeça no esporte, de outras maneiras, seja assistindo as lutas, assistindo vídeos de lutadores que eu sou fã. Então, busquei nunca desconectar a minha mente da luta. Todos os dias eu tentava fazer isso. Até porque eu tinha muito tempo livre (risos)”, contou Thomas Almeida, antes de completar.
“Gosto de assistir as lutas do Georges St-Pierre, do Jon Jones, Daniel Cormier, do próprio Khabib, caras que sempre foram grandes campeões. Rafael dos Anjos também, que foi um cara que sempre deu a volta por cima, tem uma história de resiliência muito legal, um lutador que eu sou muito fã. E também lutadores da minha categoria, possíveis adversários. Gosto de estar sempre me atualizando sobre o que está acontecendo”, declarou o atleta da ‘Chute Boxe Diego Lima’.
Empolgado com o fato de estar completamente recuperado e próximo de agendar seu retorno aos octógonos, Thomas mantém um pouco de cautela quanto ao futuro próximo. Tratado como uma das grandes promessas do MMA nacional quando surgiu, o peso-galo manteve durante grande parte de sua carreira, até aqui, uma média alta de combates por ano. Ainda que admita sua vontade de se manter o mais ativo possível, especialmente após os mais de dois anos afastado das competições, o brasileiro afirmou que, pensando na longevidade de sua trajetória no esporte, priorizará a saúde na hora de planejar sua temporada.
“Depende do corpo, de como vai ser o camp de cada luta, como vai ser a luta em si. Eu sou um cara que priorizo a saúde, até mesmo pensando em uma carreira a longo prazo, acho importante pensar nisso. Então, se o corpo estiver bem, se o corpo estiver saudável, eu acho que de três a quatro lutas no ano é um número legal. Gosto de estar sempre ativo, sou um cara competitivo, mas a saúde vem em primeiro lugar”, destacou o lutador paulistano, antes de projetar o que consideraria como a temporada ideal.
“Meu ano ideal seria buscar o maior número de vitórias possível, buscar meu espaço entre os tops da categoria, e quem sabe me aproximar de uma disputa de cinturão, que é o objetivo de todo lutador”, especulou o peso-galo.
Com 17 de suas 21 vitórias no MMA profissional vindo através de nocaute, e com apenas duas de suas 24 lutas sendo decididas pelos juízes, Thomas tem no estilo agressivo uma marca registrada. No entanto, a séria lesão na vista, além dos três reveses em suas últimas quatro pelejas, contribuiu para que o lutador pense em uma mudança de estratégia para sua sequência no esporte. Apesar de afirmar que não mudará sua essência, o peso-galo admitiu que pretende escolher melhor os momentos para se expôr durante os combates.
“Não tem como mudar muito a essência. Quando um lutador começa a querer mudar sua essência, eu vejo como um problema. Agora, usar a agressividade na hora certa, no momento certo, é outra conversa. É para esse lado que eu estou caminhando. Sou um lutador que sempre busca o nocaute ou a finalização, e isso vai continuar, está no meu DNA. Mas esperar o momento certo é um lado que eu estou buscando na minha evolução como atleta”, finalizou o brasileiro.
No MMA profissional desde 2011, Thomas Almeida, de 28 anos, acumula 21 vitórias e três derrotas em seu cartel. Após iniciar a carreira com 20 triunfos consecutivos, o peso-galo amarga três reveses em suas últimas quatro lutas.