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Diego Ribas

Entrevistas

Jennifer Maia revela inspiração em Holly Holm para “surpreender o mundo” contra Shevchenko

No próximo dia 21 de novembro, Jennifer Maia encara Valentina Shevchenko no co-main event do UFC 255, que terá como sede a cidade de Las Vegas (EUA), pela chance de se sagrar campeã peso-mosca (57 kg) da organização. E para sair exitosa deste desafio, o maior de sua carreira até o momento, a curitibana busca inspiração em uma icônica disputa de título, onde estava em jogo o cinturão de outra divisão de peso do Ultimate, e realizada há quase cinco anos.

Amplamente considerada como zebra no confronto diante de Valentina, a atleta da equipe ‘Chute Boxe’ revelou – em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight – que não considera a atual campeã da divisão imbatível. Confiante, Jennifer ainda destacou que todo lutador, por mais qualificado que seja, está suscetível a derrotas, como já foi comprovado diversas vezes na história do MMA, como no combate em que a curitibana se inspira.

Em novembro de 2015, a até então campeã peso-galo (61 kg) do UFC Ronda Rousey – ainda invicta em sua carreira após dominar completamente suas 12 adversárias anteriores – foi nocauteada por Holly Holm, vista à época como zebra, assim como a brasileira, encerrando um reinado que parecia intocável e chocando o mundo das lutas. E é exatamente com este sentimento que Jennifer mira deixar todos os que duvidam de sua capacidade de superar a lutadora do Quirguistão, que carrega com ela uma aura de invencibilidade na categoria.

“Ninguém é invencível. E eu me sinto tão preparada que, se tem uma pessoa no momento que pode vencê-la (Valentina), eu sinto que sou eu. Eu sinto que chegou a hora dela provar (que ninguém é invencível). Chegou a hora de mostrar isso, vencendo ela. Mostrar que ela conseguiu ser campeã por certo tempo, mas sempre vai chegar a hora de uma derrota”, projetou Jennifer, antes de comentar sobre seu desejo de repetir o feito de Holly Holm.

“Eu até tenho visto bastante aquela luta (da Holly Holm contra a Ronda Rousey). Todo mundo achava que era impossível a Ronda perder, e a Holly foi lá e surpreendeu todo mundo com um belo nocaute. Eu pego muito essa luta como exemplo, para surpreender o mundo, assim como a Holly fez há algum tempo”, revelou.

O consenso visto no mundo das lutas em relação ao favoritismo de Shevchenko na disputa contra a brasileira é explicitado também nas casas de apostas. O valor pago ao apostador em caso de vitória de Jennifer, em comparação com os números oferecidos para um triunfo da campeã, aponta provavelmente a maior diferença no histórico recente de disputas de título do UFC.

Nada que preocupe ou incomode a curitibana, a ponto de atrapalhar sua preparação para o duelo. Focada nos treinamentos, a desafiante enxerga um ponto positivo no fato de chegar com pouca pressão ao evento. A brasileira também relembrou que o mesmo aconteceu em sua última apresentação, diante da escocesa Joanne Calderwood, em agosto deste ano, quando Jennifer garantiu o ‘title shot’ ao finalizar sua adversária ainda no primeiro round da luta.

“Eu nem olho muito isso porque eu sigo focada no meu trabalho aqui. Não acompanho notícias, comentários… Eu estou tão focada nos treinos que não tenho tempo para notar isso. Mas também não é uma coisa que me preocupa. Na última luta (contra Joanne Calderwood), eu também estava sendo apontada como a zebra da noite. Então, isso para mim não interfere em nada. É até melhor, porque eu chego lá e faço o meu trabalho, sem obrigação nenhuma”, ponderou a atleta da tradicional equipe ‘Chute Boxe’.

O pouco tempo para se preocupar com a opinião alheia se justifica pelo aumento de carga na sua rotina de treinamentos, visando a disputa de título. Apesar de visivelmente ter se apresentado em sua melhor forma, tanto física quanto técnica, em seu último combate, contra ‘JoJo’ Calderwood, em agosto deste ano, Jennifer e sua equipe reconhecem que para destronar Valentina Shevchenko é preciso ser feito algo a mais na preparação.

“A gente incluiu (algumas coisas novas na preparação). O meu head coach, que é o Ed Carlos ‘Monstro’, ele que sempre fica no comando de tudo. Então, ele manteve o que estava dando certo e a gente adicionou mais detalhes com relação a treinos específicos, para na hora da junção do MMA eu me sentir à vontade. A gente incluiu mais um treino de jiu-jitsu, mais um treino de wrestling. Coisas que eu já fazia e a gente só incluiu um pouco a mais (na rotina de treinos)”, finalizou Maia.

Considerada como uma das mais dominantes campeãs do UFC, Valentina Shevchenko conquistou o cinturão peso-mosca da liga em dezembro de 2018. Desde então, a quirguistanesa despachou, com ampla superioridade, as três lutadoras que tentaram destroná-la: Jessica Eye, Liz Carmouche e Katlyn Chookagian, respectivamente. Em seu cartel, ‘Bullet’, como é conhecida, soma 19 vitórias e apenas três derrotas, duas delas para a baiana Amanda Nunes.

Por sua vez, Jennifer Maia conquistou a chance de lutar pelo cinturão dos moscas ao fazer sua melhor apresentação no octógono mais famoso do mundo, ao finalizar no primeiro round a então terceira colocada no ranking da divisão, e à época considerada como próxima desafiante ao título, Joanne Calderwood. A curitibana, ex-campeã da divisão até 57 kg do Invicta FC, possui 18 vitórias, seis derrotas e um empate em sua carreira no MMA profissional.

Nascido em Niterói (RJ), Neri Fung é jornalista e apaixonado por esportes desde a infância. Começou a acompanhar o MMA e o mundo das lutas no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, especialmente com a ascensão do evento japonês PRIDE.

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