No último domingo (22), o narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, popularmente conhecido como ‘El Mencho’, foi morto durante uma operação policial no estado de Jalisco. O óbito do líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), considerado o homem mais procurado do México, gerou uma onda de retaliações dos demais membros do cartel que, através de bloqueios, ataques e outras manobras, instauraram um ambiente caótico de violência no país. Escalado para o card do UFC na Cidade do México, justamente no próximo sábado (28), o estreante Ryan Gandra relatou, em entrevista exclusiva à equipe de reportagem da Ag Fight, como o conflito tem ou não afetado sua semana pré-luta.
Segundo as autoridades locais, só nos últimos dias, mais de 70 pessoas morreram, entre agentes de segurança, civis e supostos criminosos. E o cenário caótico pegou Ryan de surpresa. ‘Problema’, como o peso-médio (84 kg) é conhecido, revelou que não sabia dos conflitos de antemão. A situação delicada pela qual o México passa só lhe foi informada no momento em que pousou no país. Desde então, o brasileiro admite que ele e sua equipe conseguem perceber um clima mais tenso no ar. Entretanto, com policiamento reforçado, não houve nenhum tipo de susto ou incidente.
“E a gente soube dessa notícia no voo. Estava sem internet, descansando. Mas assim que pousou lá meu mestre chegou e disse: ‘Quer uma notícia boa ou uma ruim?’. Aí ele disse: ‘A boa é que chegamos e tá tudo certo. A notícia ruim é que aqui (México) está em guerra’. Pensei: ‘Caramba’. Foi uma coisa do dia para a noite mesmo. O avião decolando e o pau quebrando. Mas aqui a gente está sentindo um pouco o clima tenso de guerra. Muita polícia na rua, um policiamento exagerado. Mas por enquanto a gente não está sentindo essa pressão (da violência)”, relatou o peso-médio mineiro.
Evento garantido
Com um nível de calamidade elevado nos últimos dias, surgiram rumores de que o card do UFC México poderia ser transferido de sede ou até mesmo cancelado. Os boatos, entretanto, foram devidamente desmentidos pela entidade. Gandra fez coro ao posicionamento, alegando que a organização sequer entrou em contato com os lutadores para contemplar tal possibilidade.
A manutenção do evento pode ser explicada pela questão geográfica. Afinal de contas, 540 km separam Jalisco, principal foco dos ataques e mortes, da Cidade do México, sede oficial do show do Ultimate neste sábado. A distância significativa dos conflitos, somado ao reforço policial na região em que os atletas estão hospedados, tranquilizou Ryan Gandra durante a semana da luta e o ajudou a focar somente no confronto que está por vir.
“Aqui, na Cidade do México mesmo, está bem tranquilo. Tendo bastante movimentação de polícia, por questões de segurança. Acho que (a violência) está acontecendo mais em uma distância longa, em Guadalajara, se não me engano, que o bicho está pegando. Está tranquilo, o UFC nem chegou a tocar no assunto (cancelamento de evento). A região que estamos aqui parece ser uma região bem segura. É bem confiante. O policiamento aqui realmente se vê, é uma coisa de cinema. Não chegou a ponto de nem comentar que vai ser cancelada uma luta ou o evento por causa dessa situação não. Não afetou o evento”, frisou Ryan.
Revelado pelo ‘Contender Series’ em 2025, Ryan Gandra está prestes a competir pela primeira vez no octógono mais famoso do mundo. Com um cartel de oito vitórias e apenas uma derrota no MMA profissional, o parceiro de treinos de Paulo ‘Borrachinha’ estreia na organização diante do boliviano Jose Daniel Medina. Aos 30 anos, o atleta mineiro é considerado um prospecto promissor na categoria até 84 kg.
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