Patriarca da família Fury, John Fury deixou a Diriyah Arena, na Arábia Saudita, impressionado com a apresentação de Jake Paul no combate diante de seu filho mais novo, Tommy, no último domingo (26). O veterano – ex-pugilista profissional e mentor das carreiras dos seus herdeiros: Tyson, campeão mundial peso-pesado, e Tommy, ambos invictos na nobre arte – admitiu, logo após a vitória do seu caçula sobre o youtuber, que se surpreendeu positivamente com as habilidades do astro da internet.
Sentado ao lado de Tommy na coletiva de imprensa pós-show, John reconheceu o mérito do jovem norte-americano, que tem se dedicado ao boxe profissional há apenas três anos, e admitiu que ele pode ser classificado, sim, como um pugilista profissional. Vale lembrar que, anteriormente, o patriarca da família Fury fez diversas críticas à qualidade de Jake como lutador, assim como ao nível de competição que o youtuber havia enfrentado desde o início de sua trajetória na nobre arte, já que, apesar do cartel invicto até o último domingo, Paul nunca havia enfrentado um rival que tinha sua origem na modalidade e que ainda estivesse no seu auge físico e técnico.
“Jake Paul é muito melhor do que eu achei que ele fosse, para ser honesto com vocês. Por falar nisso, ele tem o direito de dizer que é um boxeador profissional, porque ele me impressionou bastante. Ele levou grandes golpes, ele acertou grandes golpes. Eles entregaram uma luta muito melhor do que alguns campeões britânicos, campeões europeus, boxeadores de alto nível. Mas não esqueça, eles são iniciantes. Ele (Tommy) deixou o pai dele muito, muito orgulhoso, e quer saber, a família do Jake Paul também pode ficar igualmente orgulhosa dele porque ele mostrou determinação, garra e força, eles dois queriam muito essa vitória”, afirmou o orgulhoso pai de Tommy Fury.
A rivalidade entre Jake Paul e a família Fury vem de longa data. O confronto entre o youtuber e Tommy chegou a ser marcado e cancelado em duas oportunidades no passado, até sair finalmente do papel no último domingo, terminando com o triunfo do pugilista inglês na decisão dividida dos juízes. Antes da luta, no entanto, muitas provocações foram feitas de ambas as partes. Tyson, por exemplo, chegou a declarar que, caso seu irmão mais novo não vencesse o americano, ele próprio o obrigaria a pendurar as luvas e parar de utilizar o sobrenome da família, tamanha era sua confiança e, ao mesmo tempo, descrença nas habilidades do astro da internet em cima do ringue.
John Fury gives respect to Jake Paul despite his defeat to Tommy Fury: “He has the right to say he’s a professional boxer.” pic.twitter.com/jijAWAIm2M
Em um recente vídeo publicado por Dana White nas redes sociais, em resposta ao youtuber Jake Paul, o mandatário do UFC citou o nome de Jorge Masvidal na lista de grandes estrelas da companhia quando o assunto é popularidade e venda de pay-per-views. A menção do dirigente não passou despercebida pelo lutador, que fez questão de se pronunciar publicamente.
Em sua conta oficial no ‘Twitter’ (veja abaixo ou clique aqui), Masvidal agradeceu a citação do presidente do UFC – que o colocou no mesmo patamar de estrelas da liga, como: Conor McGregor e Nate Diaz – e, de forma bem-humorada, brincou que o patrão demorou para reconhecer seu valor publicamente.
“Obrigado ao meu patrão por reconhecer meu trabalho duro. Só demorou quatro anos”, brincou Masvidal.
Apesar de fazer parte do elenco de lutadores do UFC desde 2013, Jorge Masvidal só alcançou o estrelato dentro da organização realmente a partir de 2019, ano no qual conquistou três importantes vitórias, todas por nocaute, sobre Darren Till, Ben Askren e Nate Diaz, respectivamente. Os resultados dentro do octógono, aliados à sua personalidade fora do cage, fizeram do americano um dos atletas mais populares do mundo e, um trunfo do Ultimate, na questão de venda de pay-per-views.
Principal estrela do plantel de atletas do UFC, Conor McGregor é amplamente reconhecido como o lutador de MMA de maior apelo popular da história. O irlandês – ex-campeão peso-pena (66 kg) e peso-leve (70 kg) do Ultimate – alcançou o sucesso esportivo, midiático e financeiro, se tornando o rosto mais conhecido da modalidade no mundo. Porém, mesmo diante de tantos feitos, ‘Notorious’ ainda carece do reconhecimento à altura dentro de seu próprio país de origem.
Pelo menos é o que pensa a boxeadora irlandesa Katie Taylor, medalhista de ouro na Olimpíada de Londres, em 2012, e atual campeã mundial peso-leve. Em entrevista ao ‘The MMA Hour’, a pugilista lamentou o fato de que, por conta das polêmicas fora do octógono, McGregor não seja valorizado como merece na Irlanda.
Vale lembrar que, além de seus méritos esportivos, Conor McGregor também é conhecido por se envolver em algumas situações controversas. O lutador já foi acusado de assédio sexual, já foi condenado por agredir um idoso em um bar, justamente em seu país natal, além de outros incidentes que, aparentemente, mancharam sua imagem junto aos seus compatriotas.
“Eu mandei mensagem para ele depois da luta com Dustin Poirier, só para oferecer algumas palavras de encorajamento. Ele sempre foi um apoio fantástico para mim, mas eu acho que ele é alguém que transcendeu o esporte. Ele é tipo, para mim, o Muhammad Ali do UFC. Ele é um atleta fantástico. E um grande empresário também. Mas o que ele fez no esporte e no UFC foi incrível, e eu não acho que ele é celebrado tanto quanto deveria aqui na Irlanda. Eu acho que ele é uma superestrela global e um atleta fenomenal, e ele sempre foi um cavalheiro comigo”, declarou Katie Taylor, antes de completar.
“Ele teve alguns momentos controversos fora do cage também que as pessoas obviamente não gostaram. Mas eu estou olhando para ele como um atleta fenomenal e alguém que eu acredito que transcendeu o esporte, alguém que se tornou maior que o esporte. Quase toda vez que ele luta, é um evento enorme. Ele ainda consegue os maiores números de pay-per-view e ainda é o atleta mais bem pago do UFC. Eu olho para ele como um atleta extraordinário e mal posso esperar para vê-lo voltar”, concluiu.
Apesar da suposta falta de reconhecimento dentro do seu próprio país, como descrita por Katie Taylor, Conor McGregor segue sendo a maior estrela do MMA no planeta. Mesmo em um momento esportivo não tão favorável, tendo perdido suas duas últimas batalhas, o irlandês segue com prestígio junto aos fãs e deve manter seu posto de principal ativo comercial do UFC, sendo responsável pelas seis maiores vendas de pay-per-view na história da organização.
No último sábado (15), Charles ‘Do Bronx’ nocauteou o americano Michael Chandler na luta principal do UFC 262, em Houston (EUA), e se tornou o mais novo campeão peso-leve (70 kg) da organização. Com isso, o lutador paulista – que já tem seu nome escrito na história do Ultimate, sendo detentor de alguns recordes expressivos da liga – atinge um novo patamar, de oportunidades financeiras e reconhecimento popular, dentro da modalidade. Mas o atleta da equipe ‘Chute Boxe Diego Lima’ sonha com voos ainda mais altos.
Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight (veja acima ou clique aqui), Charles ressaltou seu desejo de alcançar o mesmo status de idolatria que outros grandes campeões do esporte brasileiro atingiram, como Gustavo Kuerten, o ‘Guga’, Ayrton Senna, Acelino ‘Popó’ Freitas, entre outros. Especialmente no que diz respeito à questão do reconhecimento popular, ainda que valorize o crescimento financeiro que sua conquista pode acarretar, e todos os benefícios que o mesmo pode gerar para sua família.
“Eu não quero ser só um grande lutador. Eu quero ser um ícone do esporte. Quero ser lembrado, quero fazer história. A minha vida inteira eu falei isso. Eu entrei no UFC para fazer história. Eu quero ser reconhecido, quero passar na rua e que tenha foto minha, tenha imagem minha. Eu quero mostrar isso para as pessoas. Então, a gente está trabalhando bastante sobre isso”, destacou ‘Do Bronx’, antes de completar.
“Dinheiro é uma consequência que vem. Igual todo mundo fala dos bônus. Os bônus sempre foram consequência. Hoje, se não me engano, a gente empatou com o Donald Cerrone. Eu tenho tudo para fazer mais história, passá-lo no número de bônus também. Tudo que eu falei, que eu ia entrar aqui, que eu ia fazer história e quebrar recordes, Deus está me abençoando e eu estou fazendo”, concluiu.
Recordista de vitórias por finalização na história do Ultimate, Charles agora detém também a marca de maior número de triunfos pela via rápida, seja por nocaute ou finalização, na liga. Vivendo sua melhor fase na carreira, com direito a ostentar uma sequência positiva de nove vitórias, o novo campeão dos leves agora ficará no aguardo pela definição do primeiro desafiante ao seu cinturão, que pode sair do confronto entre Dustin Poirier e Conor McGregor, agendado para o dia 10 de julho, no UFC 264, em Las Vegas (EUA).
Neste sábado (15), pela luta principal do UFC 262, Charles ‘Do Bronx’ terá a oportunidade de conquistar o título dos leves (70 kg) e se tornar o terceiro atleta brasileiro dono de um cinturão do Ultimate na atualidade, deixando para trás o momento de entressafra de resultados pelo qual o país passou depois da queda da geração de ouro do MMA nacional. E é justamente nos grandes nomes da modalidade no Brasil que o faixa-preta busca inspiração para superar o americano Michael Chandler e se consagrar como novo campeão da divisão até 70 kg da organização.
Questionado pela reportagem da Ag Fight – presente na coletiva de imprensa do UFC 262, em Houston (EUA) – sobre a importância de sua possível conquista, Charles ressaltou o desejo de seguir os passos das lendas do MMA nacional, como Anderson Silva e José Aldo, ex-campeões peso-médio (84 kg) e peso-pena (66 kg) do Ultimate, respectivamente. Além do reconhecimento pelo mérito esportivo, o lutador da equipe ‘Chute Boxe Diego Lima’ torce para que sua postura fora do octógono também seja admirada pela comunidade das lutas.
“Quero fazer história. Quero que meu nome entre no Brasil como os grandes campeões foram, Anderson Silva, José Aldo, entre outros. Quero que meu nome esteja lá, como grande campeão, do jeito que sou humilde, respeitador, lutando contra esses grandes nomes que estão aqui hoje”, afirmou ‘Do Bronx’.
Número três no ranking dos leves, Charles ‘Do Bronx’ vem de oito vitórias consecutivas, a mais recente delas um verdadeiro passeio sobre o ex-campeão interino Tony Ferguson. Neste sábado, no main event do UFC 262, em Houston (EUA), o brasileiro encara o americano Michael Chandler, em duelo válido pelo cinturão da divisão até 70 kg, vago desde a aposentadoria do russo Khabib Nurmagomedov.
Em janeiro deste ano, Marina Rodriguez conseguiu sua vitória mais importante no Ultimate até o momento ao nocautear Amanda Ribas no segundo round do UFC 257. E por ter superado uma rival que ainda não havia sido derrotada no evento e que contava com grande atenção da mídia, a brasileira passou a contar com mais reconhecimento por parte dos fãs – embora ela mire objetivos maiores.
Todo atleta almeja ter uma base sólida de fãs para poder garantir cada vez mais evidência ao seu nome. Porém, além de torcida, um competidor precisa um outro fundamental incentivo: patrocínios. Como o lutador de MMA só recebe quando atua, é importante ter respaldo financeiro para a realização de um camp adequado, cercado dos melhores profissionais. Por isso, Marina, em entrevista exclusiva à Ag. Fight, destacou que sua grande meta agora é conseguir mais parceiros para sua carreira.
“Aumentou o número de pessoas que torcem por mim, que me conheceram agora através deste nocaute. Mas sei que o maior destaque, visibilidade, reconhecimento e retorno, como de patrocinadores, virá com uma chance pelo título. Infelizmente é assim que funciona no esporte em geral aqui no Brasil, os que são mais lembrados são os atletas que ganham medalhas, nesse caso o cinturão do UFC, pois assim irá atingir a todos os tipos de pessoas, mídias e trazer cada vez mais o público brasileiro a gostar e torcer de verdade pelos atletas do MMA”, disse a número seis do ranking da divisão.
Apesar de ter um estilo agressivo de luta, Marina ainda não tinha anotado um triunfo por nocaute pelo UFC. Após o desfecho ideal, a peso-palha (52 kg) citou os pontos positivos que pôde tirar da sua recente atuação para a sequência de sua carreira no MMA.
“Com certeza adquirimos experiência a cada luta e já tendo o caminho do nocaute mais claro isso me deixará sempre mais confiante. O que vem acontecendo em todas minhas lutas é que cada detalhe que ganho é importantíssimo para o meu desenvolvimento como atleta, pois já passei por quase todo tipo de situação de luta, dos piores perrengues até os grandes momentos, como o melhor até agora, o nocaute, um nocaute muito bem planejado”, completou a atleta que adiantou estar pronta para lutar em maio ou junho.
Marina Rodriguez assinou com o UFC após ser revelada pela edição brasileira do reality ‘Dana White Contender Series’, realizada em 2018. Pela organização, a brasileira disputou seis lutas, venceu três, empatou também duas e perdeu uma. Os triunfos mais marcantes da atleta foram diante de Amanda Ribas, Tecia Torres e Jessica Aguilar.
Após completar uma década de serviços prestados ao UFC, Rani Yahya sobe novamente no octógono mais famoso do mundo neste sábado (13), para encarar o americano Ray Rodriguez, pelo card da edição ‘Vegas 21’ do Ultimate. O confronto marca a 18ª apresentação do lutador brasileiro, de 36 anos, na organização. Porém, apesar do importante feito que está prestes a atingir, que enaltece sua capacidade de se manter no mais alto nível do esporte, o veterano admite que sente falta de um reconhecimento maior em relação à sua carreira.
Bicampeão mundial de jiu-jitsu nas faixas roxa e marrom, medalhista de ouro no ADCC (evento de grappling mais importante do planeta), Rani foi capaz de transferir seu jogo de chão com eficácia para o MMA e construiu uma carreira sólida na modalidade, onde compete há anos entre os melhores do mundo. No entanto, todo esse currículo não foi capaz de fazer do brasiliense um dos mais reconhecidos rostos do esporte nem mesmo em seu próprio país.
De personalidade sóbria, avesso à grandes polêmicas e bravatas, Rani levou sua carreira sem se preocupar em demasia com a construção de sua imagem perante o público. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight, o veterano lamentou não ter percebido a importância das redes sociais a tempo, especialmente em relação à comunicação direta com os fãs, e admitiu que agiria de forma diferente se pudesse voltar ao ponto inicial de sua trajetória no UFC. A entidade, por sinal, também é vista pelo lutador como parcialmente culpada pela falta de reconhecimento apontada por ele.
“Na verdade é uma questão minha, de trabalhar as mídias sociais, a imagem. Acho que eu fiquei desleixado por muito tempo, sem me preocupar muito com isso. Eu não conseguia visualizar a importância que isso teria nos dias atuais. Eu fui displicente no passado, por não ter trabalhado muito a questão da minha mídia. Eu contava que bastava lutar e ganhar, que as pessoas iriam reconhecer. Mas com o passar dos anos, a gente vê que a promoção é importantíssima. Com certeza, eu faria diferente (se pudesse voltar no tempo). Quando eu comecei a me destacar, a questão das redes sociais era muito diferente, tinha uma importância muito pequena. Eu quase não mexia nisso. Naquela época, eu não tinha a menor ideia da importância que teria nos dias atuais”, analisou Rani, antes de completar.
“Por exemplo, eu fui campeão do ADCC. Hoje em dia, tem gente que nunca chegou nem no pódio do ADCC e está fazendo um super marketing em torno do nome. Então, eu vejo que deixei passar muita oportunidade. Eu tenho uma pequena parcela de pessoas que reconhecem o que eu fiz. E acho que, sim, o UFC poderia trabalhar mais essa questão de eu ter tido vitórias por finalização, vitórias nos primeiros rounds, o fato de eu estar na empresa há muito tempo. O UFC poderia ter feito um trabalho nesse sentido”, lamentou o peso-galo (61 kg).
Vindo de uma derrota e um empate em suas mais recentes apresentações, Rani Yahya busca a recuperação diante de Ray Rodriguez, neste sábado, pelo card preliminar do UFC Vegas 21. Um resultado negativo pode colocar em risco a continuidade do brasileiro na organização, que nos últimos meses tem dispensado alguns dos veteranos de seu plantel. Apesar de se mostrar ciente da importância de uma vitória, o peso-galo prega tranquilidade para encerrar o jejum e continuar sua trajetória no maior evento de MMA do mundo.
“Fico tranquilo. Eu tenho senso de realidade. Sei que nesse esporte a gente depende do resultado, e eu estou há duas lutas sem sair vitorioso. Mas eu estou tranquilo. Não estou nem pensando nisso. Eu já estive nessa situação e estou muito focado em dar o meu melhor no sábado”, concluiu.
No MMA profissional desde 2002, Rani Yahya soma 26 vitórias, sendo 20 por finalização, dez derrotas, um empate e um ‘no contest’ (luta sem resultado) na carreira. Pelo UFC, onde estreou em 2011, o brasiliense acumula 11 triunfos, quatro reveses, uma luta sem resultado e um empate, justamente em sua última apresentação.
Campeã inaugural da divisão peso-pena (66 kg) do UFC e presença constante entre as principais atletas do peso-galo (61 kg) nos últimos anos, Germaine de Randamie esperava ter um reconhecimento maior pelos feitos de sua carreira. Em entrevista coletiva após a edição do Ultimate realizada no último sábado (3), na ‘Ilha da Luta’, em Abu Dhabi (EAU), a holandesa aproveitou o palco após ter conquistado mais um triunfo dentro do octógono – desta vez sobre Julianna Peña – para desabafar sobre a situação.
A veterana, que divide a carreira como lutadora com o trabalho de policial em seu país natal, ressaltou seu desejo de permanecer fiel à sua postura serena e não enveredar pelo caminho da promoção exagerada de um personagem para ser reconhecida, algo comum no esporte hoje em dia. Em sua visão, seus feitos esportivos deveriam ser o suficiente para lhe garantir o respeito e valorização por parte da organização.
“Eu acredito, honestamente, que eu ainda não recebi o respeito que acredito que eu mereço. Eu fiz história um par de vezes na minha carreira – muitos pares de vezes. Eu realmente não recebi o respeito, e eu já vi no passado que se você é um babaca, você consegue o respeito no UFC. Eu não quero ser um babaca. Quero permanecer verdadeira a mim mesma. Mas eu acredito que mereço um pouco mais de respeito por tudo que eu fiz na minha carreira”, desabafou Germaine, antes de continuar.
“Eu tenho 36 anos, meu trabalho de tempo integral – eu treino além do meu trabalho de tempo integral sendo uma policial. Estou ficando um pouco mais velha, e isso não é fácil e eu mereço um pouco de crédito por isso”, concluiu.
Ex-atleta do kickboxing, Germaine de Randamie soma dez vitórias e quatro derrotas em sua carreira no MMA profissional. Pelo UFC, onde compete desde 2013, a holandesa conquistou sete triunfos e sofreu apenas dois reveses, ambos para Amanda Nunes, atual campeã peso-galo e peso-pena da liga e considerada por muitos como a melhor lutadora de todos os tempos.
Amanda Nunes é a atual campeã peso-galo e peso-pena do UFC – Diego Ribas
Bicampeã do UFC, sendo dominante em duas categorias simultaneamente e com vitórias sobre as principais estrelas do MMA feminino, Amanda Nunes cumpre todos os requisitos para ser considerada não apenas a melhor lutadora da história, mas também para entrar na conversa do maior atleta a competir nesse esporte em todos os tempos, independente do gênero. Apesar disso, a brasileira continua tendo seu nome pouco lembrado quando listas deste tipo são formadas, e Dana White – presidente do Ultimate – parece ter uma teoria para essa falta de reconhecimento.
Em entrevista ao site ‘TMZ Sports’, o dirigente foi incisivo ao apontar o sexismo existente no mundo como a única explicação plausível para que Amanda continue sendo subestimada, especialmente quando a comparação engloba atletas do gênero masculino. No entanto, Dana vê cada vez mais difícil a possibilidade deste preconceito seguir, já que o desempenho dentro dos octógonos da baiana não deixam dúvidas sobre o seu lugar na história do esporte.
“Eu acho que é porque ela é uma mulher, para ser honesto com você. Mas está ficando muito difícil agora para as pessoas não começarem a respeitá-la, especialmente depois dessa última performance. Quando ela lutou contra Germaine de Randamie, as pessoas falaram: ‘Oh, ela parecia humana nessa luta’. O que? Ela lutou contra a maior striker da história e ela ganhou a luta. O que vocês querem dessa mulher? E nessa última luta, contra uma incrivelmente dura (Felicia) Spencer, ela deu aula”, comentou Dana White.
Com vitórias expressivas sobre as principais lutadoras do plantel do Ultimate, a campeã peso-galo (61 kg) e peso-pena (66 kg) parece não ter novos desafios pela frente, deixando um ponto de interrogação sobre o seu futuro. Ciente da dificuldade de escalar a próxima adversária da brasileira, tendo em vista as poucas opções de nível que ainda não a enfrentaram, Dana considera uma superluta contra a estrela do boxe Claressa Shields. Porém, ainda que tenha boa relação com a pugilista e seus representantes, o cartola destacou a necessidade de definir em qual modalidade o hipotético confronto seria realizado.
“A parte difícil de uma luta como essa é: ‘Onde elas vão lutar? Elas vão lutar boxe ou MMA?’. Eu sei que Claressa (Shields) tem treinado (MMA), mas ela não conseguiria chegar ao nível da Amanda Nunes. Todas as vezes que nós fazemos isso, eu estou sempre mandando os meus caras lutar boxe. É difícil, nós temos que descobrir. Eu gosto da Claressa. Eu me encontrei com ela, com seu empresário, e todo mundo está interessado, mas resta saber como vamos fazer isso”, finalizou.
A última derrota de Amanda Nunes aconteceu em setembro de 2014, no UFC 178, quando foi superada por Cat Zingano por nocaute técnico. Desde então, a brasileira soma 11 vitórias consecutivas, tendo entre suas ‘vítimas’ nomes como: Cris ‘Cyborg’, Holly Holm, Ronda Rousey, Miesha Tate e Valentina Shevchenko, esta em duas ocasiões.
Dudu encara Archuleta no próximo dia 14, em Nova York – Divulgação/Bellator
Eduardo Dantas é um nome pouco conhecido para grande parte do público brasileiro. Ex-campeão do Bellator — segunda maior organização de MMA do planeta —, ‘Dudu’ compreende que lhe falta reconhecimento no Brasil, mas atribui a situação ao baixo investimento que a organização realiza em publicidade no país — justamente o oposto do que é feito pelo UFC. Mas, se não há tanto dinheiro para divulgar a companhia, há para os lutadores. Assim, o ex-detentor do cinturão dos galos (61 kg) afirma não ter mais interesse em migrar para o Ultimate.
Maior concorrente do Ultimate, o Bellator cresce em importância a cada ano. Prova disso é que no dia 14 de junho, em Nova York (EUA), a organização promoverá um evento com dois atletas que fizeram história no Ultimate, mas optaram por encerrar a carreira na companhia comandada por Scott Coker: Lyoto Machida e Chael Sonnen. Também escalado para este show, Dudu explicou, em entrevista exclusiva à Ag. Fight, o que diferencia as duas empresas e por que não se incomoda quando não é reconhecido no Brasil.
“Eu não acredito que tenha um grande abismo, acho que a grande diferença é o marketing do Bellator aqui. A grande diferença é entre o marketing do Bellator e do UFC no Brasil. Por isso que os atletas do Ultimate são muito mais conhecidos por aqui. (…) Então, isso facilita para eles em relação a patrocinadores no Brasil”, opinou.
“Nos Estados Unidos, em qualquer lugar que eu vá, sempre tem pessoas reconhecendo, pedindo para tirar foto… Em qualquer lugar dos Estados Unidos. Então, acredito que seja algo mais aqui no Brasil. Mas é algo que não me afeta, então, para mim, não faz diferença”, completou.
Uma vaga no UFC ainda é o sonho da maior parte dos praticantes de MMA. Apesar disso, ‘Dudu’ conta que esse desejo não faz parte dos seus planos há tempos. E um dos motivos para isso é a questão financeira, já que, desde 2014, o Ultimate possui um acordo de exclusividade com a Reebok. Com isso, diferentemente do que ocorre no Bellator, os lutadores da organização comandada por Dana White não podem exibir outras marcas durante os eventos, restrição que limita o potencial de faturamento dos atletas, conforme destacou o carioca.
“Há muito tempo eu disse isso (que sonhava em lutar no UFC), porque o UFC tinha virado uma febre no Brasil. Então, você via o quanto os atletas ganhavam e isso mexia com a cabeça. Isso em 2011, 2012, por aí. Mas o tempo foi passando e se tornou justamente o contrário. Hoje em dia, qualquer atleta que estuda e pesquisa sobre o mundo do MMA consegue ter ideia da diferença entre o Bellator e o UFC. Então, para mim, essa vontade de ir para o UFC já passou há muito tempo. Até porque, no Bellator, em relação a pagamentos, à popularidade nos EUA, à competitividade entre os atletas, o nível aumentou absurdamente. Não deixa nada a desejar para o Ultimate”, ressaltou Dudu.
“As pessoas que chegam até mim no Brasil e dizem que o sonho é ir para o UFC. (…) Então, eu questiono: ‘Você sabe quanto um atleta ganha até se tornar um campeão?’ O que ele passa, o que tem que ganhar, como eles vivem… Porque no Brasil temos muitos atletas que lutam no UFC e passam por muitas necessidades — financeiramente falando. Tirando os atletas campeões, muitos atletas que têm lutas ou já passaram pelo UFC passam necessidades financeiras. Muitos atletas não sabem disso. Eles vêm com o sonho, achando que o é o topo do mundo, mas eles estão enganados. (…) Isso tudo porque o UFC monopolizou no Brasil. Então, tudo o que acontece de MMA no Brasil, a pessoa acha que tem a ver com o UFC”, apontou.
No Bellator 222, show que será realizado no ginásio do ‘Madison Square Garden’, Dudu volta à ação contra o americano Juan Archuleta. O ex-campeão dos pesos-galos competirá em Nova York na categoria dos penas (66 kg), oportunidade que ele celebrou por ter que cortar menos peso. Apesar disso, o carioca ressaltou que a sua pretensão é retornar para a sua divisão de origem e reconquistar o cinturão que perdeu em outubro de 2017 para Darrion Caldwell.
“Tenho me dedicado muito, acabei aceitando a luta praticamente faltando um mês para a luta. Mas uma das pequenas metas que coloco na minha vida é: ‘Se não sou o campeão, eu pretendo me tornar o campeão’. Então, estou sempre treinando. Sei que a qualquer momento poderia aparecer uma oportunidade. E esta era uma que eu já esperava. Já estava treinando, mas não imaginei que me chamariam tão em cima da hora. Mas me chamaram para a categoria acima, então para mim foi melhor, porque não teria que perder tanto peso e focar minha mente para a perda do peso, poderia focar só nos treinos. Então aceitei, até porque é um cara que eu já queria enfrentar”, declarou.
“É um cara que tem 17 vitórias consecutivas, bem duro, que vem do wrestling. O ponto forte é a força e resistência. Pelo tipo físico, você vê que ele não cansa, que está sempre fazendo muita força. Mas é novo ainda, tem pouca experiência, apesar das vitórias contra caras que não tem o mesmo nível de um evento internacional como o Bellator. (…) Ele só tem quatro lutas no Bellator, não pegou nenhum top 10 do mundo, top 5. É um cara duro, jamais irei subestimar o Juan (Archuleta), mas ele vai lutar contra um cara que está faminto, que foi duas vezes campeão mundial e será pela terceira vez campeão mundial”, concluiu.
Aos 30 anos, Dudu Dantas soma um retrospecto de 21 triunfos e seis derrotas como atleta profissional de MMA. Já Juan Archuleta, um ano mais velho, soma 21 resultados positivos e apenas um negativo em seu cartel como lutador de artes marciais mistas.