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Pantoja critica Deiveson por ‘travar categoria’ e dispara: “Montou um personagem”

Depois de se recuperar de uma cirurgia no joelho, que o tirou de uma provável luta pelo cinturão peso-mosca (57 kg) do UFC, Alexandre Pantoja voltou ao octógono no último sábado (30) e provou mais uma vez porque é considerado um dos maiores nomes de sua divisão. Com uma atuação impecável, o ‘Cannibal’ precisou de apenas um minuto e meio de luta para finalizar Alex Perez. A vitória, sua terceira seguida, poderia levá-lo diretamente a um ‘title shot’ em seu próximo combate, mas um impasse no topo da categoria deve adiar seus planos.

Com o campeão linear Deiveson Figueiredo lesionado, o UFC optou pela criação de um cinturão interino, que foi disputado e conquistado por Brandon Moreno também no evento do último sábado. Agora, a organização planeja a realização do quarto embate entre o ‘Deus da Guerra’ e o ‘Baby Assassin’ pela unificação do título peso-mosca, que pode acontecer apenas no início do próximo ano, devido à lesão do paraense e a vontade do mesmo em competir em um especulado card do Ultimate no Brasil. Com isso, Pantoja – número dois do ranking – pode se ver em uma espécie de encruzilhada, já que teria que decidir se vale a pena aguardar pela definição da cinta ou se aceitaria fazer uma nova luta para não ficar muito tempo inativo.

Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight (clique aqui), Pantoja analisou a situação em que se encontra, deixou seu futuro nas mãos de seu empresário e da organização, e lamentou que o topo da categoria esteja travado até que haja uma definição sobre a quarta luta entre Deiveson e Moreno. O compatriota, por sinal, é visto pelo atleta da ‘American Top Team’ como o principal culpado pela estagnação da divisão, já que, além de ainda não demonstrar estar recuperado de sua lesão, aparenta estar fora de forma e dificultar o agendamento da unificação de título contra o mexicano, querendo postergar o compromisso para o início de 2023.

“É fogo, porque teria que tirar o cinturão do Deiveson, né? Não tem como botar um outro cinturão interino. Acho impossível isso. O Deiveson lutou em janeiro. E ele estar fora de forma ainda como está, para mim, é inadmissível como atleta. Gosto do Deiveson para caramba, é um cara que eu respeito muito, não só como lutador, mas como pessoa, (…) mas eu acho que todas essas luzes em cima dele – querendo ou não pessoas são feitas de energia – e quando, às vezes, ele se abre para o mundo assim, vem todo tipo de energia. (…) Você tem que se cuidar, tem que se blindar de muita coisa. Eu vejo que o Deiveson ficou conturbado com toda essa parada”, ponderou Alexandre.

Para Pantoja, essa influência externa foi responsável pela postura adotada por Deiveson nos últimos tempos, a qual recrimina. Na visão do peso-mosca, o personagem criado pelo próprio campeão em parceria com seu ex-empresário, Wallid Ismail, faz do ‘Deus da Guerra’ uma figura pouco agradável para os fãs brasileiros e capaz de travar toda a divisão, como uma forma de manter o controle da situação.

“O Wallid (Ismail) em cima dele, que transformou ele naquele personagem que o Deiveson virou. E o que a gente conseguiu acompanhar foi que vários brasileiros que torciam muito para o Deiveson começaram a ficar meio assim com ele, pela forma que ele tratava tudo. Eu acho que não combina com a gente. A gente acha lindo o (Conor) McGregor, mas ele lá. Até cobram: ‘Ah, o brasileiro tem que falar mais’. Mas eu acho que da maneira que eu fiz e da maneira como o Brandon Moreno tem feito, super educado, um cara super coerente, bem família, eu acho que o povo brasileiro consegue aceitar melhor esse tipo de personagem, que no meu caso não é um personagem, é o que eu sou”, analisou Pantoja, antes de continuar.

“Mas você está ali, você faz parte do entretenimento. E o Deiveson tentou montar esse personagem, e todo mundo viu como ele estava em Dallas, que ele estava fora do peso e tudo mais. E pô, ele travar a categoria até janeiro do ano que vem. São seis meses até lá. Ele vai ficar um ano sem lutar. Eu sei que o UFC tem uma parada do que o campeão pode fazer. Ele pode ficar fora um ano se tiver uma contusão. Mas se for o caso, ele abre mão do cinturão e depois volta e disputa, não sei como seria. Mas se o cara realmente quer defender o cinturão dele, mostrar que é o campeão, eu acho que é muito tempo. P***, e por causa de um dedo quebrado”, reclamou.

No MMA profissional desde 2007, Alexandre Pantoja soma 25 vitórias e cinco derrotas no seu cartel. Pelo UFC, onde estreou em 2017, o peso-mosca venceu nove de 12 combates disputados. O segundo colocado no ranking da categoria já venceu Brandon Moreno em duas oportunidades, uma pelo ‘The Ultimate Fighter’ e outra no próprio Ultimate, e perdeu seu primeiro duelo contra Deiveson Figueiredo, em uma verdadeira batalha que ganhou o prêmio de ‘Luta da Noite’ na ocasião.

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