Entrevistas

Jéssica Bate-Estaca cogita processar ex-treinador: “Era um pai para mim”

Depois de passar por um divórcio turbulento que onerou sua vida financeira, Jéssica Andrade pode estar prestes a enfrentar mais uma batalha judicial contra uma pessoa que durante anos foi extremamente próxima. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight (clique aqui), ‘Bate-Estaca’ – como a ex-campeã peso-palha (52 kg) do UFC é conhecida – abriu o jogo sobre sua saída da equipe ‘PRVT’ e admitiu que cogita processar seu antigo treinador, Gilliard Paraná.

A parceria entre Bate-Estaca e o treinador durava mais de uma década, mas se encerrou há alguns meses. Sem entrar em detalhes, a veterana do UFC deixou claro que a separação se deu por problemas de ordem financeira e, principalmente, de confiança entre ela e o líder da equipe ‘PRVT’, com o qual possuía uma relação de ‘pai e filha’.

“Como a Denise (Gomes) falou, teve algumas questões tanto financeiras quanto de índole. Eu achava que ele era uma coisa na minha vida e depois se tornou outra totalmente diferente. Ele vivia dizendo que era como um pai para mim e quando eu descobri as coisas que ele fez comigo, eu falei: ‘Com certeza isso não é coisa que um pai faria’. Muitas coisas aconteceram e acredito que mais para frente – talvez não agora porque ele voltou para o Brasil e as coisas ficam mais difíceis, o governo do Brasil é meio difícil – mas eu espero que as coisas se resolvam logo, que a justiça seja feita”, declarou Jéssica.

Além da ex-campeã do UFC outras atletas também encerraram seus ciclos na equipe, como o casal Denise Gomes e Karol Rosa, também lutadoras do Ultimate. Mesmo assim, Jéssica – principal expoente da ‘PRVT’ durante anos – considera que os danos sofridos por ela foram maiores que de suas companheiras, o que deve fazer com que um processo judicial seja aberto pela ex-campeã do UFC contra Gilliard Paraná.

“Eu estou bem agora, estou feliz, espero que ele esteja bem também com a vida dele. O que ele conseguiu tirar de mim já foi, espero que um dia eu consiga recuperar. Mas eu não sei se ele consegue dormir com a cabeça tranquila no travesseiro. Eu sei que consigo, mas ele eu já não tenho certeza. Provavelmente vai (virar um caso de Justiça). Mas eu não posso falar muita coisa, tenho que esperar acontecer. Acredito que ele anda um pouco preocupado porque ele anda perguntando muito de mim, o que eu estou falando dele por aí. Não estou falando nada além do que é verdade e o que eu posso dizer. Mas acredito que mais para frente todo mundo vai entender o que realmente aconteceu, a verdade, e eu vou poder sentar e contar para todo mundo o que aconteceu de verdade”, declarou a ex-campeã do UFC.

Problemas financeiros

Mesmo com 27 lutas disputadas no principal evento de MMA do mundo e uma bolsa condizente com seu status de ex-campeã, Jéssica enfrentou problemas financeiros nos últimos tempos. Este cenário fez com que a atleta paranaense aumentasse sua frequência de apresentações no octógono, indiscriminadamente. Apesar de perder boa parte do dinheiro pelo qual trabalhou, Bate-Estaca destacou que, neste momento, conseguiu se estabelecer financeiramente de novo.

“Não está comigo (o dinheiro que era para estar), está com outras pessoas. Acho que nem com ele está porque ele deve ter jogado para outras pessoas. Mas eu acredito muito em Deus, na justiça de Deus, sei que a justiça do homem às vezes é muito falha, mas Deus sabe das coisas. Graças a Deus, sim (estou bem financeiramente hoje). Essas duas últimas lutas, eu consegui me reerguer de novo. Acho também que pela parte dele ter falado: ‘Ah, eu não quero receber’. Isso aí também me deu um alívio. Eu não queria sair como errada em nada, mas eu sei que ele não quis receber porque sabia da m*** toda que ele tinha feito, então, nada mais justo”, afirmou a lutadora, antes de completar.

“Mas eu consegui me reerguer, estou bem, tranquila. Não tenho mais essa necessidade de: ‘Ai, eu tenho que fazer luta porque estou sem dinheiro’. Graças a Deus não tem (mais) isso. E o Ali (Abdelaziz) vem me instruindo e me ajudando muito na questão financeira. Falou para mim: ‘Jéssica, não fecha nada de porcentagem com equipe nenhuma, você não tem que fazer mais isso. Quando você precisar, fecha seu camp com professores e estipula um valor. Se você não souber falar, fala comigo que eu falo com a pessoa, a gente estipula um valor e é isso. Você não tem mais que pagar porcentagem nenhuma para ninguém'”, contou.

Porcentagem abusiva?

Uma das reclamações da ex-campeã do UFC em relação ao seu antigo mestre e empresário diz respeito a uma suposta cobrança abusiva sobre os seus ganhos na organização presidida por Dana White. Ainda que não configure, a priori, um prática criminosa, a lutadora entende que Gilliard Paraná utilizava de sua influência sobre ela – e demais atletas da equipe – para tirar proveito financeiro sobre suas bolsas.

“(A porcentagem cobrada pela PRVT era) 30%, né? 30% para não ter nada. Porque eu pagava 30% para a equipe e ainda por cima tinha que pagar os treinadores, por fora. Os 30% ficavam só para o Paraná. O restante eu tinha que pagar Bruno (sobrinho do Paraná), tinha que pagar ‘ah fulano está vindo para puxar um treino’, tinha que pagar o fulano. ‘Ah ciclano vai puxar manopla para você’, tinha que pagar. E a equipe não dava nada. Quando a gente não tem nada e não tem instrução, a gente vai no que oferecem para a gente. Ele usava da influência que ele tinha dentro da minha vida, como um ‘pai’, para colocar as coisas que ele queria”, concluiu.

Sem fazer mais parte da ‘PRVT’, equipe pela qual atuou a maior parte de sua carreira, Jéssica Bate-Estaca terá seu primeiro desafio dentro do octógono no próximo dia 7 de setembro. De acordo com apuração da Ag Fight, a ex-campeã peso-palha enfrentará a compatriota Natália Silva, pelo peso-mosca (57 kg), em card do UFC previsto para acontecer em Las Vegas (EUA).

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