UFC

Islam Makhachev faz alerta a lutadores após notar mudança de perfil no UFC

Campeão meio-médio (77 kg) e ex-detentor do cinturão dos leves (70 kg) do Ultimate Fighting Championship, Islam Makhachev levantou um debate sensível sobre os rumos da principal organização de MMA do mundo. Em entrevista ao canal ‘Ushatayka’, o russo apontou uma possível mudança de mentalidade dentro do UFC, que, segundo ele, estaria priorizando atletas com maior apelo de espetáculo em detrimento de perfis mais estratégicos e discretos.

A declaração sugere uma transição no perfil valorizado pela companhia. De acordo com o campeão, a organização busca competidores com postura mais agressiva e combativa, mesmo que isso implique assumir maiores riscos esportivos dentro do octógono.

O que eles querem é basicamente uma vibe de briga de rua, alguém que entra pra trocar porrada. Tem caras que perdem 6 ou 7 lutas, mas continuam sendo escalados porque sempre vão pra guerra, ganhando ou perdendo”, declarou o lutador.

Na avaliação do atleta, profissionais que apenas acumulam vitórias, mas não investem em promoção pessoal ou comunicação com o público, podem encontrar obstáculos adicionais no cenário atual. Ao comentar sobre representantes do Daguestão (RUS) conhecidos pelo estilo dominante e pragmático — porém pouco expansivo fora das lutas —, ele indicou que esse perfil talvez não seja mais tão valorizado quanto antes.

Eu já digo pros caras: vocês precisam sair lá e brigar. Esses lutadores do Daguestão que só aparecem, dominam todo mundo, não falam inglês, não vendem a luta, não fazem hype — acho que esse tipo de lutador não é mais interessante pro UFC”, afirmou o russo, ao defender uma postura mais ativa também fora da arena.

Hype vs mérito esportivo

O posicionamento do meio-médio toca em um ponto central do MMA moderno: o equilíbrio entre performance esportiva e entretenimento. Atletas oriundos do wrestling, tradicionalmente focados em controle posicional, pressão constante e eficiência tática, costumam construir trajetórias baseadas em domínio técnico e vitórias seguras — nem sempre visualmente empolgantes para parte do público.

A escola do Daguestão, por exemplo, consolidou-se como sinônimo de disciplina estratégica e alto índice de sucesso competitivo ao longo dos anos. Nesse contexto, a eventual valorização de estilos mais agressivos pode influenciar diretamente a chegada e o espaço concedido a novos talentos com base no grappling.

Diante desse cenário, competidores com abordagem mais calculista podem sentir a necessidade de adaptar sua postura. Seja ampliando o volume de golpes na trocação, seja investindo na construção de rivalidades e na promoção pessoal, a busca por relevância pode passar a ter peso semelhante ao desempenho esportivo.

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