UFC

Injustiça? Henry Cejudo admite incômodo com percepção sobre seu legado

Henry Cejudo se despediu dos esportes de combate no último sábado (6), no UFC 323, em Las Vegas, encerrando de forma definitiva uma das carreiras mais bem-sucedidas da história recente do MMA. A despedida, porém, não veio acompanhada do brilho que marcou sua trajetória, já que o ex-campeão olímpico e duplo detentor de cinturões do UFC foi derrotado por Payton Talbott, acumulando sua quarta derrota consecutiva antes de pendurar as luvas.

Mesmo com um currículo raríssimo — ouro olímpico no wrestling, títulos nas divisões dos moscas (57 kg) e dos galos (61 kg), além de defesas de cinturão em ambas as categorias — o agora aposentado admite carregar uma sensação agridoce ao imaginar como sua imagem pode ser interpretada após o término da carreira. Em entrevista ao portal ‘Bloody Elbow’, o ‘Triple C’ demonstrou incômodo com a possibilidade de o público minimizar sua trajetória por conta do desfecho negativo.

“Se eu pudesse sair de cena como Khabib ou Jon Jones, então seria tipo: ‘Ah, ele é o maior atleta de esportes de combate de todos os tempos’. Mas, por causa dessas derrotas, ficou tipo: ‘Ah, ele é só mais um deles’. Mas, se você realmente parar para pensar e olhar para o meu currículo e o que eu fiz…”, afirmou, revelando o contraste entre seus feitos e a percepção criada pelas últimas apresentações.

Nova profissão?

Apesar do tom de frustração, o ex-lutador não parece disposto a permitir que suas últimas lutas definam uma carreira construída com feitos históricos. Ele já planeja seu próximo capítulo: um livro infantil que reunirá histórias reais de atletas lendários, incluindo a sua própria, com o objetivo de inspirar crianças com narrativas sinceras sobre desafios e superações.

“O pequeno Henry era um garoto de baixa estatura — quero trazer isso para a conversa. O que quero fazer é reunir vários atletas diferentes para que possam contar suas histórias, se tornarem os autores e mostrarem algo real. As crianças vão ler coisas de verdade, não apenas ‘o pequeno Timmy caiu e machucou o joelho’, mas experiências profundas que, espero, possam inspirar muitas delas”, explicou.

Ainda que a aposentadoria não tenha ocorrido sob as condições que idealizou, o norte-americano encerra sua jornada com um legado inquestionável. A inquietação que demonstra não diminui seus feitos, mas revela o olhar crítico de um competidor que sempre buscou ser lembrado entre os maiores — e que, para muitos, já garantiu esse lugar na história do esporte.

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