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Marcus Buchecha e Rodolfo Vieira entram em ação no UFC Vegas 116
Ícones do BJJ, Buchecha e Rodolfo ainda são coadjuvantes desde que migraram para o MMA - Diego Ribas/Ag Fight

UFC

Ícones no jiu-jitsu, Buchecha e Rodolfo Vieira lutam para reencontrar protagonismo no UFC

Programado para este sábado (25), o card do UFC Vegas 116 será um prato cheio para os apaixonados pela arte suave. Afinal de contas, Marcus Almeida e Rodolfo Vieira, dois dos maiores ícones do jiu-jitsu no século, entram em ação no card sediado no ‘Meta Apex’. Acostumados a dominarem o topo da cadeia alimentar nos tatames, os brasileiros agora convivem com uma rara coadjuvância desde que migraram para o MMA profissional. Já inseridos no Ultimate, maior evento do mundo na modalidade, ‘Buchecha’ e o ‘Caçador de Faixas Pretas’ competem para reconquistarem o protagonismo de outrora que os consagrou.

Escalado para fechar o card preliminar, Rodolfo enfrenta o americano Eric McConico, em duelo válido pelos pesos-médios (84 kg). Por sua vez, na categoria dos pesos-pesados, abrindo a porção principal do show, Buchecha mede forças contra o também estadunidense Ryan Spann. Mesmo em uma edição ‘Fight Night’, eventos do UFC de proporções e alcance menores, se comparado aos cards numerados, os brasileiros estão longe de serem os grandes destaques da noite. Isso, por si só, diz muito sobre o retrospecto recente de ambos na entidade.

Reféns do próprio sucesso?

Marcus Buchecha é considerado o maior vencedor da história do jiu-jitsu, sendo incríveis treze vezes campeão mundial na faixa-preta – um recorde até hoje destacado no ‘Guiness Book’. Além disso, também foi bicampeão do ‘ADCC’ – torneio de maior prestígio no  mundo do grappling. Por sua vez, Rodolfo Vieira é pentacampeão mundial de jiu-jitsu e também já chegou ao lugar mais alto do pódio em uma oportunidade no ‘ADCC’.

Como não poderia deixar de ser, tais credenciais atrelam um alto grau de expectativa para qualquer desafio que a dupla de brasileiros se propor a enfrentar. E quando migraram para o MMA e chegaram até o maior evento do mundo na modalidade, o UFC, os fãs das artes marciais mistas e também da arte suave aguardavam verdadeiros shows dentro do octógono. Mas não é isso que Rodolfo e Marcus têm protagonizado. Muito pelo contrário.

Desde que estreou no Ultimate, em 2019, o Caçador de Faixas Pretas não conseguiu emplacar três vitórias consecutivas. Nas últimas quatro rodadas, Rodolfo tem alternado resultados positivos e negativos, com duas vitórias e duas derrotas. Do outro lado, a situação de Buchecha é ainda mais delicada. Recém-chegado, em julho de 2025, o peso-pesado ainda convive com um incômodo jejum na organização.

São duas lutas e nenhuma vitória na liga presidida por Dana White – sendo uma derrota e um empate. Aquém das expectativas, Marcus Almeida refletiu sobre o atual momento às vésperas de sua próxima luta no UFC. No entendimento do multicampeão mundial de jiu-jitsu, uma autocobrança excessiva e, neste caso, prejudicial, tem atrapalhado seus desempenhos no Ultimate. A declaração de Buchecha pode ser exemplificada também para Rodolfo, que já externou inúmeras vezes sua ansiedade ao competir no MMA. Sendo assim, a dupla acaba refém das expectativas e sucesso do passado nos tatames.

“Eu pensei muito nisso (expectativa e autocobrança) nas últimas lutas. Entrei (no UFC) com essa obrigação de que eu tenho que pegar (finalizar), algo que nunca tive (nos tempos de BJJ). É um peso que coloquei nas minhas próprias costas. Isso me travou demais. Não lutei feliz, lutei com uma obrigação nas minhas costas”, admitiu o maior vencedor da história do ‘BJJ’, em entrevista exclusiva à Ag Fight.

Brasileira em situação similar

Além de Buchecha e Rodolfo, outra craque do jiu-jitsu também entra em ação neste sábado e se encontra em situação parecida no Ultimate. Campeã mundial e tricampeã mundial sem quimono, Talita Alencar enfrenta a também brasileira Julia Polastri no UFC Vegas 116. Por mais que venha de dois triunfos na empresa, a posição de faixa-preta no evento – na luta de abertura – é um bom indício de que a peso-palha (52 kg) ainda não engrenou no MMA. Não à toa, ‘Problem Child’ como é conhecida, não figura no ranking da categoria.

Fora de série nos tatames, a trio brazuca sofre para se adaptar a uma nova modalidade e chegar novamente ao topo da cadeia alimentar. Enquanto convivem com pressão e altas expectativas, Buchecha, Rodolfo e Talita terão uma oportunidade de ouro neste sábado (25) de vencerem, convencerem e, quem sabe, voltarem a pleitear a posição de protagonista que lhes sempre foi natural no passado.

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Natural do Rio de Janeiro, Gaspar Bruno da Silveira estuda jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fascinado por esportes e com experiência prévia na área do futebol, começou a tomar gosto pelo MMA no final dos anos 2000.

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