Conor McGregor está oficialmente de volta. Após mais de cinco anos afastado dos octógonos, a ausência mais longa de sua carreira, o irlandês foi confirmado como lutador principal do UFC 329, marcado para 11 de julho na T-Mobile Arena, em Las Vegas, durante a International Fight Week. O adversário será Max Holloway, com quem McGregor já tem histórico: os dois se enfrentaram em agosto de 2013, em Boston, com vitória do irlandês por decisão unânime. A revanche, anunciada durante a transmissão do UFC Vegas 117 no último dia 16 de maio, acontecerá na categoria dos meio-médios, com limite de 77 kg, divisão inédita para Holloway.
O anúncio foi estratégico em termos de timing. A divulgação ocorreu exatamente durante o walkout de Francis Ngannou no card promovido pela Most Valuable Promotions em parceria com a Netflix, fato que não passou despercebido por Jake Paul, co-fundador da promotora rival. “O viciado em cocaína voltou. Legal, irmão. Anunciem durante o nosso evento. Não importa. Isso só mostra o quão desesperados eles estão, pequenos meninos inseguros tentando elevar o evento deles ao colocar notícias por cima do nosso”, disse Paul em coletiva de imprensa após o evento.
As casas de apostas já definiram seus favoritos. Sites especializados têm colocado McGregor como amplo azarão, com odd de +475, o que significa que quem apostar R$ 100 na vitória do irlandês e acertar recebe R$ 475. Holloway, por outro lado, figura como favorito expressivo, com odd de -450, o que significa que seria necessário investir R$ 450 para lucrar R$ 100 em caso de acerto. Muitos pensam em acompanhar os palpites McGregor Holloway e analisar as movimentações das odds ao longo das próximas semanas, já que a disparidade atual reflete, sobretudo, o tempo de inatividade do irlandês, que não compete desde julho de 2021.
A diferença nas odds também surpreende porque os dois já se enfrentaram e McGregor venceu. Além disso, Holloway vem de derrota para Charles Oliveira no UFC 326, em março deste ano, quando perdeu o cinturão BMF por decisão dos juízes após cinco rounds dominados pelo brasileiro no grappling. Ainda assim, esses fatores pesam pouco diante de quase cinco anos sem lutar. No mesmo período em que McGregor esteve inativo, Holloway disputou oito combates no Ultimate, sempre contra atletas de elite. A plataforma Stake.bet.br oferece mercados detalhados para o UFC 329, incluindo método de vitória, round exato e desempenho por round.
A inatividade de McGregor, 37 anos, não foi apenas esportiva. O irlandês enfrentou um processo civil por agressão sexual ligado a um incidente de 2018, tendo sido considerado culpado pelo júri em 2024. Um segundo processo, relacionado a um suposto incidente em Miami em 2023, foi encerrado sem julgamento no final do ano passado. Em 2023, McGregor foi acusado de agredir uma mulher em seu iate em Ibiza. No início de 2025, proferiu insultos racistas em redes sociais contra o ex-rival Khabib Nurmagomedov. Em outubro passado, recebeu uma suspensão de 18 meses pelo programa antidoping do UFC, com vigência retroativa a 20 de setembro de 2024, o que o tornou elegível para competir a partir de 20 de março deste ano.
O primeiro encontroem 2013 revelou dois futuros campeões ao mesmo tempo
A primeira luta aconteceu em 17 de agosto de 2013, no TD Garden, em Boston, Massachusetts. McGregor tinha 25 anos e apenas uma vitória no UFC, um nocaute sobre Marcus Brimage na Suécia, meses antes. Holloway, então com 21 anos, entrou no confronto com um cartel de 3-2 na organização. Nenhum dos dois estava no card principal. Estavam, na verdade, nem mesmo no topo da seção preliminar, que teve como luta principal Michael McDonald finalizando Brad Pickett. O main event daquela noite foi Chael Sonnen vencendo também por finalização Mauricio “Shogun” Rua.
O que tornava McGregor diferente não era apenas a habilidade técnica. Era o que cercava suas lutas. Uma equipe de documentaristas o seguia pelas ruas de Boston nos dias que antecederam o combate. As luzes da arena foram apagadas para sua entrada, tratamento incomum para um lutador de card preliminar. Ele entrou ao som de “I’m Shipping Up To Boston”, dos Dropkick Murphys, para uma plateia repleta de bandeiras irlandesas em uma cidade com raízes históricas na Irlanda. “Por que estou promovendo esse cara? Por que estou apostando nele? Porque amo o que ele representa”, disse Dana White na ocasião, segundo reportagem do ESPN.
Dentro do octógono, o boxe incomum de McGregor criou problemas imediatos para Holloway no primeiro round. Um uppercut no segundo round sugeriu o nocaute que boa parte da plateia esperava, mas ele não veio. A luta migrou para o chão na segunda metade do combate, com McGregor mantendo controle suficiente para vencer nas três fichas dos juízes e melhorar seu cartel para 14-2, com 2-0 no UFC.
O que não estava visível para o público era que McGregor havia se lesionado no ligamento cruzado anterior do joelho durante o combate. “Quando voltamos a ficar de pé, eu estava cambaleando. Por isso, no terceiro round tive que mudar a estratégia e buscar o takedown. Não estou feliz por não ter finalizado”, declarou McGregor no pós-luta. A lesão o manteve fora por dez meses. Quando voltou, foi diretamente para uma luta principal em Dublin, onde nocauteou Diego Brandão.
Para Holloway, a derrota foi o início de uma das sequências mais impressionantes da história dos pesos-penas. Após perder para o irlandês, o havaiano venceu 13 lutas consecutivas, conquistou o cinturão dos penas, defendeu o título duas vezes e construiu os maiores números de golpes significativos conectados e vitórias por nocaute da história da divisão.
O que cada lutador construiu no intervalo de 13 anos
Holloway já foi detentor do cinturão simbólico BMF (“Baddest Motherf****”, ou o “mais durão”) do UFC, conquistado em abril de 2024, no UFC 300, ao nocautear Justin Gaethje. Mas atualmente o título pertence ao brasileiro Charles “do Bronx” Oliveira. Charles conquistou a cinta ao derrotar Holloway por decisão unânime no UFC 326.
A carreira dos dois atletas divergiu completamente após 2013. McGregor virou o maior fenômeno comercial que o MMA já produziu. É ex-campeão dos penas e dos leves, tendo sido o primeiro atleta da história do UFC a deter dois cinturões simultaneamente. Encabeçou as quatro maiores bilheterias de pay-per-view da história do MMA. Sua luta de boxe contra Floyd Mayweather, em 2017, é o segundo maior PPV da história dos esportes de combate, atrás apenas de Mayweather x Pacquiao. Seu cartel atual é de 22 vitórias, 19 por nocaute e uma por finalização, e seis derrotas.
Holloway, 34 anos, é um dos maiores lutadores da era moderna do UFC. Seu cartel atual é de 27 vitórias e nove derrotas. Doze triunfos vieram por nocaute e dois por finalização. Após conquistar e defender o cinturão dos penas, subiu para os leves, onde venceu Justin Gaethje com um nocaute no último segundo da luta principal do UFC 300, um dos momentos mais comentados da história recente do esporte, para conquistar o cinturão BMF. Perdeu o título para Oliveira em março deste ano por decisão unânime após cinco rounds.
Estatisticamente, Holloway é uma máquina ofensiva. Conecta uma média de 6,91 golpes significativos por minuto, uma das taxas mais altas entre os lutadores ativos do UFC, com precisão de 48%. Seu volume é esmagador: 7.647 golpes significativos desferidos ao longo da carreira, com 3.681 conectados. Venceu 48% de suas lutas por decisão e 44% por nocaute. Sua defesa de golpes é de 59%, com 81% de eficiência na defesa de quedas.
McGregor, por sua vez, tem números ofensivos mais modestos, reflexo de lutas significativamente mais curtas. Sua média de knockdowns por luta é de 1,73, a mais alta entre os dois. Sua precisão de striking é de 50%. Tempo médio de luta de apenas 8 minutos e 2 segundos, contra 16 minutos e 39 segundos de Holloway. Mas ele ostenta 86% de vitórias por nocaute ou TKO.
Poirier aposta em Holloway, com ressalva sobre o peso
Um dos poucos atletas que enfrentou ambos os lutadores, McGregor três vezes, Holloway duas, Dustin Poirier projetou vantagem para o havaiano durante participação no programa UFC on Paramount. A análise de Poirier foi centrada justamente na variável do peso: a luta acontecerá nos meio-médios, sete quilos acima do limite leve, divisão onde Holloway passou a competir nos últimos anos.
“Quando lutei com ele pela última vez no peso-leve, ele já tinha potência nos golpes. Imagino que, no meio-médio, ele terá ainda mais força. O Max agora bate forte, não é apenas um lutador de volume, ele consegue definir lutas”, declarou Poirier. O norte-americano tem retrospecto favorável contra McGregor, tendo vencido duas das três lutas entre eles, incluindo o nocaute no UFC 257 e a vitória por TKO no UFC 264, luta em que o irlandês sofreu a fratura na perna que o tirou de combate por mais de quatro anos.
A dúvida sobre o tamanho de Holloway em divisões acima dos penas não é nova. Quando o havaiano foi confirmado contra Justin Gaethje no UFC 300, em 2024, Joe Rogan expressou ceticismo parecido com o de Poirier, baseado justamente na derrota de Holloway para Poirier nos leves, em 2019. “O Dustin Poirier o dominou nos 55 libras. Acho que esses caras são um pouco grandes demais”, disse Rogan. Holloway respondeu às dúvidas nocauteando Gaethje no último segundo da luta. Agora a mesma pergunta volta, em uma categoria sete quilos acima daquela em que o nocaute do UFC 300 foi aplicado.
Joe Rogan e a questão da volta tardia de McGregor
Ninguém no universo do MMA combina autoridade técnica e ceticismo quanto ao retorno de McGregor de forma tão direta quanto Joe Rogan. Em diferentes episódios de seu podcast, o comentarista oficial do UFC construiu uma narrativa de preocupação genuína sobre o estado físico e mental do irlandês.
“Não sei se Conor lutará novamente. Ele está festejando muito. Ele falou sobre cocaína durante o processo judicial. Mas há também a questão dos danos cerebrais sofridos em treinos e combates. Muitos lutadores, especialmente no final de carreira, recorrem às drogas”, afirmou Rogan em 2024. Em outra ocasião, foi ainda mais direto: “O que é realmente triste é se ele voltar com 39 ou 40 anos e o corpo simplesmente não responder mais.”
Paradoxalmente, foi o mesmo Rogan quem, em 2016, construiu uma das descrições mais precisas do fenômeno McGregor: “Conor é um ser humano especial. Não há muitas pessoas que surgem em qualquer geração com esse tipo de impacto em qualquer esporte. Não é só a capacidade de lutar, é a mente, o carisma, a capacidade de articular as coisas. Conor McGregor é um ser único na história.”
A tensão entre essas duas visões, o gênio que revolucionou o MMA e o lutador de 37 anos com cinco anos de inatividade e um histórico extracurricular turbulento, é o que torna o UFC 329 algo além de uma simples revanche.
Troca de farpas acende a rivalidade nas redes
Horas após o anúncio oficial, McGregor publicou no X: “Eu vou fazer de você o meu filho, menino. Mais uma vez. Você vai ter que colocar respeito na p*** do meu nome.” Holloway respondeu sem demora: “Não, meninão, você que vai ter que botar respeito no meu nome. Vamos descobrir no sábado à noite.”
A dinâmica das redes sociais não é nova entre os dois, mas ganha outra dimensão em 2026. Em 2013, McGregor era o favorito óbvio, mais experiente, mais velho, com mais lutas no UFC. Agora a hierarquia se inverteu. Holloway chega ao UFC 329 com oito lutas nos últimos cinco anos, todas contra adversários de elite. McGregor chega sem ter competido desde julho de 2021, quando sofreu a fratura na tíbia contra Poirier.
O card do UFC 329 inclui ainda, como co-main event, a luta entre Paddy Pimblett e Benoit Saint Denis nos leves. Completam o card: Cory Sandhagen x Mario Bautista nos galos; Brandon Royval x Lone’er Kavanagh nos moscas; Gable Steveson x Elisha Ellison nos pesados; e Robert Whittaker x Nikita Krylov nos meio-pesados.
A transmissão será ao vivo e com exclusividade pelo Paramount+. Faltam menos de dois meses para que Boston, 2013, finalmente ganhe uma resposta, desta vez em peso meio-médio, em Las Vegas, diante de um público que vai pagar para saber se o McGregor de 2026 ainda é o mesmo homem que apagou as luzes do TD Garden há 13 anos.