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Marco Ruas comemora legado por ‘chutes baixos’ e vê evolução na técnica atual

Atualmente um lutador de MMA precisa cada vez mais se aprimorar em todas as áreas do combate. Por isso, recentemente muitos brasileiros têm usado os chutes baixos para abrir o caminho para suas vitórias, como Amanda Nunes e Thiago ‘Marreta’. Mas se eles agora buscam se especializar neste quesito, deve-se muito a Marco Ruas. O ‘King Of The Streets’ foi pioneiro nesta técnica e comemorou sua evolução, além do legado deixado por ele.

Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag.Fight, o brasileiro que atualmente tem a academia ‘Ruas Vale-Tudo’, localizada nos Estados Unidos, afirmou que um dos principais focos nas suas aulas é o chute baixo. O ex-lutador admitiu que nos tempos atuais os atletas sabem outras maneiras de efetuar o golpe e é preciso se atualizar.

“Até hoje nas minhas aulas é 80% de chute baixo, acompanhando toda a evolução do negócio. Antes o cara chutava do mesmo ângulo, botava o corpo de uma maneira para efetuar o golpe. Hoje em dia os caras sabem sair, quebrar melhor o ângulo, chutam o tendão. Está machucando muito, principalmente com uma combinação de golpes. Eu passei o caminho, mas o negócio evoluiu muito. Contra caras de maior envergadura, esse é o caminho do sucesso. Como o Thiago ‘Marreta’ fez com o Jon Jones. Ele mostrou o caminho”, afirmou.

Apesar dos brasileiros terem evoluído na questão dos chutes, para Ruas, os seus compatriotas ainda precisam aprimorar outra valência do esporte. Mesmo ressaltando que os atletas tupiniquins estão buscando aprender mais, principalmente na parte de wrestling, Marco pediu para haver mais um intercâmbio com profissionais americanos.

“Acho que o brasileiro melhorou na defesa de queda, o wrestling, mas tem que evoluir ainda mais, investir mais, pegar caras dos Estados Unidos e trazer para aí. É difícil derrubar o (José) Aldo, o (Thiago) ‘Marreta’, melhoramos nisso, mas os gringos têm mais tempo para se dedicar mais. Aqui parece que eles têm mais foco, melhor alimentação, os suplementos são mais baratos. Aí é tudo caro. Eles investiram no jiu-jitsu, aprenderam com muita gente que veio do Brasil. Aqui o diferencial é o wrestling, que eles já aprendem na faculdade. É obrigatório, então os caras já saem atletas, com um condicionamento físico muito alto”, contou.

Com a larga experiência no MMA e ser um dos primeiros lutadores a valorizar o aprendizado de todas as artes marciais para se tornar um atleta completo, Ruas destacou os brasileiros na modalidade. O carioca exaltou feitos de Fabricio Werdum e não se esqueceu do atual campeão dos meio-médios do Bellator, Douglas Lima.

“Tem o Fabrício Werdum, que é um cara que conquistou tudo, vi ele começando no Pride. Não tinha experiência, batalhou, teve cabeça aberta, treinou em pé. Veio do jiu-jitsu, abriu a cabeça e ganhou do Fedor (Emelianenko), ‘Minotauro’, (Cain) Velásquez. Tem o Douglas Lima também, do Bellator, que é um craque, chuta bem. Gosto dos irmãos ‘Pitbull’ (Patrício e Patricky). José Aldo, que é da ‘família’, foi treinado pelo Pedro (Rizzo)”, disse.

Mesmo com tantos anos prestados ao MMA e ao UFC, Marco Ruas ainda não foi lembrado para o ‘Hall da Fama’ da organização. Se este fato pode incomodar muitos ex-lutadores, não tira mais o sono do brasileiro.

“Larguei de mão. Todo mundo me pergunta isso, mas nem esquento mais, porque essa eleição não depende dos fãs. Eu já tenho uma placa da Zuffa, com uma votação dos fãs que eu estava entre os maiores da história do UFC. O ‘Hall da Fama’ é dado pela panelinha do UFC. Não é do fã. Eu não ligo mais. Sei o que fiz pelo esporte, ajudei ele crescer, participei de uma rivalidade com o jiu-jitsu com a cabeça aberta. Época que tinha que treinar tudo”, completou.

Marcos Ruas possui nove vitórias, quatro derrotas e dois empates durante sua carreira no MMA. A sua última apresentação na modalidade aconteceu em 2007.

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