No fim de junho, Dustin Poirier foi preso por embriaguez pública em um aeroporto nos Estados Unidos e chocou a comunidade do MMA. Mas o incidente tem um contexto muito mais delicado e pessoal do que apenas as imagens que vieram à tona e rapidamente viralizaram nas redes sociais. O caso se relaciona a temas sensíveis como tensões familiares, alcoolismo e também questões de ordem de saúde mental. E quem admitiu tudo isso foi o próprio ex-campeão interino dos pesos-leves (70 kg) do UFC.
Em um forte desabafo, ‘The Diamond’, como é conhecido, citou o difícil relacionamento com o pai para contextualizar o ocorrido. Alcoólatra, seu patriarca sofreu no âmbito pessoal com o uso exagerado de bebidas alcoólicas — que o levaram à atual condição de pessoa sem-teto. Sensibilizado com essa realidade no Dia dos Pais, Poirier, que também admitiu abusar do álcool recentemente, perdeu o controle e acabou preso por embriaguez pública e conduta violenta contra um policial local e também com profissionais do aeroporto.
“Ele (meu pai) arruinou casamento, amizades, família. Ele foi preso muitas vezes por coisas relacionadas à álcool. É um alcoólatra clássico, bem egoísta, e continua com o vício. Ele está sem-teto agora. É como se não quisesse ajuda (…) No Dia dos Pais, estava viajando para o trabalho e não conseguia parar de pensar no meu pai. E daí comecei a beber no aeroporto, foi isso que levou ao incidente”, relembrou o americano, em entrevista ao canal ‘The Diary Of A CEO’.
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Terapia e depressão
Apesar de ter repercutido somente agora, com a sua prisão pública, Poirier já convive com uma luta contra o uso exagerado de bebidas alcoólicas há anos. Não à toa, o ex-lutador do UFC já, inclusive, já procurou acompanhamento psicológico para lidar com o vício. No entanto, entre indas e vindas, o atleta americano se viu em um estado mental delicado, com o avanço da depressão. E com o álcool novamente na equação, o contexto apenas se amplificou negativamente.
“Tenho feito terapia e coisas do tipo. Há anos, comecei a fazer terapia. Mas quando eu comecei a me sentir melhor, eu parei de praticar tudo que tinha aprendido. E foi quando passei a sentir aquilo novamente, acho que posso chamar de depressão. Eu simplesmente não me sentia bem. Quando me sinto assim, sei que não deveria beber, mas bebo mesmo assim. Meu pai não pode ser uma desculpa. O álcool nunca me fez bem, especialmente em momentos como esse, em que não estou no melhor estado mental”, reforçou Dustin.
Poirier parece ciente de que precisa de ajuda para superar o momento delicado em sua vida. Após a prisão, o americano admitiu que evitou ver o vídeo de sua detenção. Envergonhado com o episódio, o ex-campeão do UFC também revelou que, por conta da conduta no caso, o lado financeiro também foi afetado com a perda de patrocínios. Aos 37 anos e já aposentado dos esportes de combate, Dustin precisa se reerguer como já fez muitas vezes no octógono — mas desta vez na batalha da vida.
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