Entrevistas

Norma Dumont relembra drama familiar que marcou sua infância

Quem vê Norma Dumont em grande fase e consolidada como uma das principais lutadoras do peso-galo (61 kg) feminino do UFC não sabe que antes de viver da luta dentro do octógono, a mineira precisou mostrar força e superação fora dele. Em entrevista exclusiva ao canal Direto de Vegas, novo projeto da Ag Fight, a atleta da equipe ‘Chute Boxe Diego Lima’ abriu o coração e relembrou o drama familiar que marcou sua infância, com direito a abandono paterno e casos de violência doméstica dentro de casa.

De acordo com a lutadora mineira, seus pais se separaram quando ela ainda tinha três anos de idade. E mesmo continuando a morar perto, seu pai nunca se interessou em conviver com Norma ou suas irmãs, Nayara e Nayane.

O meu pai é um escroto. Ele começou a trair minha mãe, a tratá-la mal e quando descobriu que a Nayane (filha mais nova) era menina, ele também já não queria três meninas, porque ele era fanático por futebol e queria um (filho) homem para jogar bola. Vieram três meninas e já não era mais do agrado, vamos dizer assim. Minha mãe descobriu a traição dele e botou ele para fora de casa, e ele simplesmente sumiu, não queria contato com a gente. Morava perto. Chegou a ser preso algumas vezes por não pagar pensão”, contou a atleta do UFC.

Padrasto agressor

Além da questão sentimental de não contar com a presença e atenção do pai biológico, a família Dumont também sofreu com a falta de dinheiro – situação que se tranquilizou com a chegada de uma nova figura: o padrasto. Porém, a chegada do novo companheiro da mãe da lutadora do UFC trouxe novos desafios para as três irmãs.

“A gente tinha um padrasto que era um merda, que agredia minha mãe. Minha mãe não tinha muita escolha também porque (…) quando minha mãe estava com ele, a gente não passava fome. Quando ele ia embora, a gente passava fome. Era a situação da minha mãe. Então, você acaba se sujeitando a coisas que você não gostaria e não mereceria. Eu via o que ele fazia com a minha mãe, eu tinha ele como um inimigo dentro de casa. Era um cara agressivo. Eu odiava os dois (pai e padrasto)”, relembrou.

Instinto protetor

Neste momento, o instinto protetor da lutadora do UFC aflorou na sua juventude. Ao presenciar as agressões sofridas pela mãe, Norma confrontou fisicamente seu padrasto e chegou a revidar os ataques. A situação, inclusive, por pouco não terminou em uma tragédia ainda maior.

“Eu andava com uma faca, eu tinha um canivete que eu tinha ganhado de um amigo de Ribeirão das Neves, e eu andava com esse canivete na cintura, o tempo inteiro, e era para ele. Quando eu tinha 11 anos, foi a última vez que ele agrediu minha mãe no quarto, eu lembro que estava assistindo o filme Matrix, e eu escutei (a agressão). Já era normal a gente escutar com uma certa frequência e, na maioria das vezes, a gente só gritava e chamava a polícia. Mas dessa vez eu tive um impulso e fui lá, e comecei a dar soco e bico na porta do quarto até ele abrir. E ele meio que veio para cima de mim. Ali eu falei para ele: ‘Você não põe a mão nela mais'”, recordou.

A atitude corajosa da mineira até rendeu frutos, mas não foi o suficiente para encerrar um ciclo que viria a se repetir mais algumas vezes. No fim, a lutadora conta que sua mãe colocou um ponto final na relação com seu padrasto e, já sem o apoio do mesmo, a família sofreu por um tempo com a questão financeira – nada que fizesse Norma sentir saudade da presença do antigo agressor de sua mãe.

“Ele parou um tempo, pelo menos na nossa frente. Mas a gente escutava ele tentando afogar minha mãe, teve algumas situações complicadas. E depois de um tempo, pelo menos na nossa frente ele parou. Até quando a gente mudou para Belo Horizonte, (eu tinha) 13 anos, e ele voltou a agredi-la, na cozinha lá de casa. Ele foi enforcá-la na parede. Eu ouvi, saí correndo do quarto e dei uma cadeirada nele, comecei a dar soco nele e começou a confusão toda. E na hora que acabou eu falei para ele: ‘Eu vou te matar. Você não dorme nessa casa mais. Se você dormir, você vai acordar com uma faca no pescoço’. E eu andava com um canivete na cintura 24 horas, para ele”, concluiu.

Superados os dramas familiares do passado, Norma Dumont hoje brilha dentro do octógono mais famoso do mundo. Atual terceira colocada do ranking peso-galo do UFC, a lutadora mineira – que vem de seis vitórias consecutivas, a mais recente delas sobre Ketlen Vieira no dia 1º de novembro – se posicionou no topo da lista de candidatas a uma disputa pelo cinturão da categoria.

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