Entrevistas
Natália Silva explica mudança por disputa de título no UFC: “Quem dá as cartas é o Dana”
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Diego Ribas, em Las Vegas (EUA)
Depois que venceu a ex-campeã Alexa Grasso no UFC 315 em maio de 2025, para muitos, Natália Silva havia garantido o ‘title shot’ na categoria peso-mosca (57 kg). Não à toa, a campeã da divisão, Valentina Shevchenko, já projetava um confronto com a brasileira pelo cinturão. Ciente da posição confortável em que se colocou, a atleta da ‘Team Borracha’ garantiu que não entraria em ação antes de ser agraciada com o posto de próxima desafiante. Entretanto, após negociações de bastidores, a especialista em taekwondo precisou voltar atrás na palavra e agendar outro compromisso no Ultimate. Em entrevista exclusiva à equipe reportagem da Ag Fight, a mineira de 28 anos explicou o que motivou sua mudança de postura.
Invicta na organização com sete vitórias e atual número 2 do ranking, Natália admitiu que seu desejo, assim como o de sua equipe, era, de fato, já competir pelo cinturão na próxima rodada. Entretanto, em uma reunião com a alta cúpula do UFC, a brasileira foi informada que a campeã Valentina demoraria para lutar novamente. De olho em dar giro na categoria, a empresa, através da figura de seus principais dirigentes, solicitou que a striker se mantivesse ativa no meio tempo.
Com uma mentalidade baseada em não se privar de desafios que a levem até o topo, Natália acatou a sugestão da alta cúpula do Ultimate e aproveitou uma oportunidade de mercado, substituindo Alexa Grasso e assumindo um embate contra outra ex-campeã da entidade: Rose Namajunas. A brasileira e a americana duelam neste sábado (24), no card do UFC 324 – show que abre o calendário de 2026 da companhia.
“O objetivo era esse mesmo (esperar o title shot). Nossa equipe queria a luta pelo título. Mas conversando com o UFC, eles disseram, logo após a luta da Valentina em novembro, que ela não lutaria por agora e que eles não queriam que eu ficasse sem lutar. Eles precisavam que eu me mantivesse ativa, disseram que eu precisava fazer mais uma luta. Com isso, acabou que na luta de Alexa e Rose, não sei o que houve, mas a Alexa teve que sair e o UFC me ofereceu e me chamou para fazer essa luta. E quem quer ser campeã, tem que vencer todas. Não importa. A Rose é um grande nome. E sabemos que uma vitória contra ela é muito importante para nós”, explicou Silva.
Title shot garantido?
Por mais que reconheça estar em uma posição de favorita ao ‘title shot’, Natália evita projetar os próximos passos. A única atleta na sua frente no ranking no momento é a francesa Manon Fiorot, que já teve a oportunidade de disputar o cinturão, mas acabou derrotada por Valentina Shevchenko. Sendo assim, caso derrote Namajunas e amplie sua invencibilidade, a mineira garante a sonhada chance? Não necessariamente. Sem ter sido comunicada de qualquer acordo futuro, a representante da ‘Team Borracha’ veste a mentalidade de ‘Funcionária do Ano’ para, inevitavelmente, sua chance de se tornar campeã finalmente chegue.
“Não tem como eu dizer (que o title shot está garantido vencendo essa luta). Sou só uma funcionária (risos). Quem dá as cartas é o papai Dana, é o Mick Maynard, os ‘matchmakers’ do evento. Uma coisa eles podem ter certeza: o que eles quiserem que eu faça, eu vou fazer. Porque quem eu precisar vencer para me tornar campeã, eu vou vencer. Porque meu objetivo aqui no UFC é ser campeã. Então não importa se vou precisar lutar (de novo), contra quem vou lutar. Meu objetivo é ser campeã e isso vai acontecer em breve. Eu creio”, ponderou a brasileira.
O confronto entre Natália Silva e Rose Namajunas reforça o card principal do UFC 324 – primeiro evento da ‘era Paramount’ na organização. Outros dois brasileiros entram em ação no show: Jean Silva e Deiveson Figueiredo, que enfrentam, respectivamente, Arnold Allen e Umar Nurmagomedov. O ‘main event’ da noite fica com a disputa do título interino dos pesos-leves (70 kg) entre Justin Gaethje e Paddy Pimblett.
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Natural do Rio de Janeiro, Gaspar Bruno da Silveira estuda jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Fascinado por esportes e com experiência prévia na área do futebol, começou a tomar gosto pelo MMA no final dos anos 2000.