Entrevistas

Frustrado, Ponzinibbio ‘culpa’ falta de ritmo de luta por revés e cita azar em duelo

O retorno de Santiago Ponzinibbio ao UFC não foi como ele esperava. Após mais de dois anos sem pisar no octógono, por problemas físicos e de saúde, como quando contraiu COVID-19, o argentino foi nocauteado pelo chinês Li Jingliang na sétima edição do show na ‘Ilha da Luta’, no último sábado (16). Decepcionado com sua atuação, o meio-médio (77 kg) explicou seu erro no duelo.

Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, o ex-TUF Brasil 2 revelou que estava seguindo à risca a estratégia planejada por ele e sua equipe para o combate, sem se expor no início, segurando um pouco seu ímpeto agressivo, uma das suas marcas registradas. Porém, de acordo com o ‘Argentino Gente Boa’, quando ele estava mais ativo e melhor no duelo recebeu um ‘golpe de sorte’ do adversário que o levou à lona.

“Luta é luta e nem sempre vence o melhor. Estava com muita vontade de retornar após 26 meses. Bate um sentimento de frustração porque não consegui mostrar meu trabalho e o atleta que eu sou. A estratégia era começar devagar e depois acelerar, com um plano bem seguro. Comecei andando, pressionando ele, mas sem me expor. Tudo que ele jogou eu vi, bloqueei os chutes. Depois fui começando a colocar meus golpes aos poucos. Estava confiante e consciente de tudo. Dei um jab, fintei um, ele tirou a cabeça, joguei a direita e fomos juntos, mas ele pegou. Ele estava começando a sentir os golpes, a pressão e ele jogou uma mão. Pegou na ponta do queixo. Foi um golpe de sorte. Se pegasse em outro lugar não ia me nocautear. Eu resisto a golpes”, afirmou o lutador, antes de admitir que a falta de ritmo de luta pesou contra a sua performance.

“Sou mais atleta, tenho muito recurso e não consegui. Demorei a entrar na luta e acredito que seja pela falta de ritmo pelo tempo fora. Quando estava começando a entrar a luta deu essa m****. Acho que tem que ser agressivo e inteligente. Se tivesse com mais ritmo poderia estar mais agressivo e entrar mais cedo na luta, mas faz parte”, concluiu.

Mas engana-se quem pensa que Ponzinibbio vai abaixar a cabeça com esse revés. O argentino, que adiantou que já pretende voltar a lutar em março, relembrou adversidades que superou em sua vida até chegar ao Ultimate e citou que esse resultado negativo será apenas mais um contratempo que vai deixar para trás. No próprio UFC, o sul-americano estreou com derrota e depois se recuperou na sequência.

“Eu sou um atleta que fui feito à base da resiliência, da superação. Sempre foi difícil. Sair da Argentina, ir para o Brasil, tudo que passei aí. Chegar no TUF, não poder lutar, ser derrotado na estreia do UFC. Seria importante conseguir essa vitória porque seria a oitava seguida e voltaria ao ranking, teriam que me botar. O tempo parado não ia aparecer porque venci. Seria muito bom. Agora meu objetivo está mais longe, mas não muda. Quero ser campeão. Não me abalo porque esporte é assim, uma loucura mesmo. Se lutar mais dez vezes com ele ganharia as dez, mas aconteceu isso. Agora é voltar a lutar com mais regularidade e seguir o trabalho”, explicou o sul-americano.

Santiago Ponzinibbio soma 27 vitórias e quatro derrotas em seu cartel no MMA profissional. O argentino compete pelo UFC desde 2013, após se destacar na segunda temporada da versão brasileira do reality show ‘The Ultimate Fighter’, e possui nove triunfos e três reveses dentro do octógono mais famoso do mundo.

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