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Natássia del Fischer

Entrevistas

Fabrício Werdum analisa motivação para ser campeão do PFL aos 43 anos

Nada de Bellator ou ONE Championship. Depois de um período de negociações com algumas organizações de MMA interessadas em contar com seus serviços, Fabrício Werdum, finalmente, definiu seu futuro. Agora, o veterano integra o plantel do PFL e parece estar bastante animado com o novo desafio que surgiu na fase final de sua carreira.

A estreia do ex-campeão do peso-pesado do UFC na nova casa ainda não tem data definida, porém o brasileiro já iniciou sua preparação para voltar a ser campeão, mesmo com a idadede 43 anos. Em entrevista exclusiva à reportagem da Ag. Fight, Werdum explicou os principais fatores que o levaram a assinar com o PFL e tratou de elogiar a companhia. Além disso, ‘Vai, Cavalo’ lembrou que o fato de Ray Sefo, presidente da organização, ser ex-lutador faz com que os atletas se sintam mais à vontade.

“O que me motivou a assinar com a PFL foi, justamente, esse campeonato que te dá uma premiação ótima. Um milhão de dólares chama a atenção de qualquer pessoa e atleta. Você ganha a sua bolsa e, sendo campeão, mais um milhão. Acredito que qualquer lutador adora essa proposta. Outro ponto foi a organização respeitar muito os atletas e isso é importante. Sei que Ray Sefo é um ex-lutador de K-1, é um cara que eu sempre olhei e respeitei. Ele sabe cuidar dos atletas. Isso ajuda muito, é bem importante. Também vi que tem vários desafios, lutadores bons na PFL e gosto disso, é o que me motiva. A motivação é ser campeão mais uma vez em um evento diferente. Vou treinar para isso e, depois, decidir o que vou fazer. A realidade é essa”, destacou Werdum.

Antes de integrar a PFL, Werdum foi sondado pelo Bellator na tentativa de realizar a tão aguardada revanche contra Fedor Emelianenko. O atleta confirmou que estava interessado no embate, mas, como as partes não chegaram a um acordo, deixa claro que o assunto não fará mais parte do seu cotidiano. E para que isso se torne realidade, nada melhor do que a mudança total de foco.

“Não aconteceu. Agora, é outro momento, outra época. A gente tentou, não teve a negociação. Até o Scott Coker (presidente do Bellator) tentou, mas, agora, sou 100% PFL. Só penso em ser campeão do PFL. Essa página eu virei. Não tenho motivos para continuar falando sobre o Fedor, se estou em outra organização e não tem a possibilidade de acontecer, só se for um desafio. Eu representando a PFL e Fedor representando o Bellator. Poderia acontecer isso no futuro, estou dizendo por dizer na verdade. Não acredito que possa acontecer, mas quem sabe um dia, alguém se interessa em fazer um evento contra o outro, aí posso falar sobre isso. Agora, sou PFL, é temporada e tenho um campeonato para participar”, concluiu.

Apesar do longo tempo de serviços prestados ao UFC e de ter saído pela porta da frente, já que foi campeão do peso-pesado e, em sua despedida, finalizou Alexander Gustafsson no primeiro round, Werdum revelou que, ao contrário do que se imagina, não teve tanto contato com Dana White. Mesmo com alguns contratempos em sua jornada, o brasileiro prefere guardar as boas lembranças que não apenas do presidente do evento, mas de todo o período em que se apresentou no octógono mais famoso do mundo.

“Nunca tive muita relação com Dana White. Sempre lutei no UFC, mas posso contar nos dedos as vezes que encontrei e conversei com ele. É um cara que é muito profissional no negócio dele, ajudou o esporte a crescer também, então não tenho nada contlo. Como falei antes, conto nos dedos as vezes que conversei de verdade, porque essa é a parte do meu mra. Aconteceram algumas coisas nesses anos de UFC e é normal, como em uma relação com o pai, filho, mulher, acontece. Às vezes, você não concorda com a decisão da empresa e acontecem alguns conflitos, mas foram muito mais coisas boas do que conflitos, podemos dizer assim. Foram mais vitórias do que derrotas, por exempanager. Ali (Abdelaziz) que conversa com ele”, ressaltou.

O fato de ter assinado com o PFL não impede Werdum de participar de torneios de outras modalidades e seu próximo compromisso já tem data e adversário definidos. No dia 20 de dezembro, o faixa-preta de jiu-jitsu vai encarar Anthony Johnson, no Submission Underground, e mostrou bastante conhecimento sobre ele. Contudo, o experiente lutador prometeu que vai buscar a finalização do início ao fim do encontro.

“Estou bem motivado para fazer essa luta contra o Anthony Johnson. Ele é bem duro, lutou no UFC, é forte, vem do wrestling, tem uma boa base de jiu-jitsu também, mas, como são só cinco minutos, tenho que fazer uma estratégia muito boa. Vou fazer um jogo para pegar o Anthony Johnson o tempo inteiro. Não vou ficar esgrimando. São só cinco minutos, então tenho que fazer e acontecer. Estou treinando já com a estratégia na minha cabeça. Vou puxar para a guarda, tentar raspar e o tempo inteiro, vou tentar finalizar. Estou bem motivado e não tenho a pressão só pelo fato de eu ser do jiu-jitsu, porque ele é do grappling, está acostumado a lutar sem quimono, a fazer wrestling na escola. Não existe essa pressão na verdade. Tenho certeza que estarei bem preparado. Vim um mês antes para os Estados Unidos para poder me preparar”, contou.

Assim como no MMA, Werdum também teve bastante sucesso em sua carreira no jiu-jitsu, porém negou que tenha interesse em voltar a participar de competições da modalidade. O brasileiro mostrou disposição realizar lutas pontuais, possivelmente superlutas, e assim permanecer nas artes marciais mistas.

“Gosto dessas lutas casadas. Não quero entrar mais em competição de jiu-jitsu ou de grappling. Depende. Se valer muito a pena na parte financeira, acredito que faria, mas tem que ser uma coisa muito boa para eu aceitar, porque, querendo ou não, teria que me dedicar só para isso. Como eu tenho um espaço bom, assinei com o PFL e começo em abril, tenho um tempo para fazer só grappling e me dedicar. Tem que valer muito a pena para eu poder aceitar. Não aceito qualquer um, qualquer evento. De quimono não penso em lutar, porque tenho que treinar só de quimono, que é mais difícil ainda. Quando fazemos sem quimono, ajuda para o MMA também. Se for só de quimono, não posso fazer MMA. Mas, no grappling, estou motivado de lutar mais vezes sim”, finalizou.

Vale lembrar que, antes de assinar com a PFL, Fabrício Werdum integrou o UFC, Strikeforce e PRIDE. O brasileiro, de 43 anos, também possui feitos marcantes no esporte, como as vitorias por finalização diante de grandes nomes do esporte como Cain Velasquez, Fedor Emelianenko e Rodrigo ‘Minotauro’.

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