Para a faixa-preta Giovanna Canuto, a transição do jiu-jitsu amazonense para o cenário internacional em Las Vegas traz a marca de um episódio traumático. Longe dos tatames, o momento mais determinante de sua trajetória com a equipe do treinador Melqui Galvão ocorreu dentro de um cômodo, onde uma votação aberta selou sua expulsão do time.
O desgaste começou com o que parecia uma conquista individual: o apoio de membros de uma academia, que ofereciam quimonos e auxílio financeiro à ‘Gigi’, como a atleta é conhecida’. A ajuda, no entanto, incomodava a liderança.
“Acho que virou um problema que eles estavam querendo me ajudar e não ajudar o grupo. Mas não tem ninguém que vai ajudar dez pessoas, sabe? O Melqui era muito rígido. Toda vez que você falava de volta com ele, ele ficava p***. Eu nunca fui de gostar de regra estúpida, não levo desaforo para casa“, relata.
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A divergência e a recusa da atleta em ceder ao controle irrestrito transformaram a rotina em um ambiente de isolamento. Giovanna e seu pai, Francisco Canuto, passaram a ser deixados de fora da logística do grupo.
“Eles tacaram o f***-se. Eu tinha que ir para casa sozinha com o meu pai. A gente não sabia que horas os ônibus paravam, teve dia que a gente teve que ficar na estação de metrô à noite porque tudo tinha parado e ninguém tinha avisado a gente“, contou.
Ápice do problema
O ápice do conflito ocorreu após um treino longo, quando todos foram convocados para uma reunião de emergência onde sua saída foi selada. Para validar a decisão, a liderança exigiu uma votação presencial entre os próprios atletas, expondo o grupo a um constrangimento público.
“O Melqui sentou todo mundo no quarto — os dez em um quarto de um apartamento que é um ovo. Ele disse: ‘A gente, como um time, decidiu que você não é mais parte do time. Porque você não tenta ajudar o time e já faz a sua própria coisa. A gente vai ter um voto. Quem quer que a Giovanna saia?’. Eu lembro de ter olhado para os meus melhores amigos me olhando quase chorando“, relembra.
Apoio familiar
Naquela noite, o apoio de seu pai foi a única barreira contra o desamparo completo. Diferente de outros atletas do grupo, que não contavam com a família por perto e ficavam mais vulneráveis às decisões do comando, a presença constante de Francisco Canuto garantiu a base para que a atleta recomeçasse do zero.
A expulsão e a saída repentina do grupo acabaram forçando uma reestruturação precoce na carreira de Giovanna Canuto. O rompimento dramático abriu caminho para que a brasileira traçasse seu próprio rumo de forma independente até se estabelecer e, recentemente, chegar ao UFC.
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