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Deiveson Figueiredo encara Umar Nurmagomedov no UFC 324
Deiveson Figueiredo encara Payton Talbott no UFC 332, neste sábado - Diego Ribas/Ag Fight

Entrevistas

Deiveson Figueiredo revive experiência própria ao comentar drama de Raoni Barcelos: “Agoniante”

O drama vivido por Raoni Barcelos no último sábado (26), durante a luta principal do UFC Vegas 121, contra Raul Rosas Jr, chamou a atenção não apenas pelo susto causado, mas também pela identificação de outros atletas com a situação enfrentada pelo brasileiro. Um deles é Deiveson Figueiredo. Ex-campeão peso-mosca (57 kg) do Ultimate, o ‘Deus da Guerra’ – como o paraense é apelidado – revelou, em entrevista exclusiva à Ag Fight, que já passou por episódios semelhantes, inclusive em treinamentos.

Raoni precisou ser atendido ainda no octógono após sofrer um mal súbito durante o confronto com Rosas Jr. O lutador carioca ficou inconsciente durante vários minutos e precisou ser transportado imediatamente ao hospital, onde permaneceu internado por alguns dias realizando exames e recebendo atendimento médico. Recuperado do susto, o veterano de 39 anos já teve alta hospitalar, mas ainda não há uma explicação oficial sobre o que provocou o incidente.

Escalado para entrar em ação novamente neste sábado (3), contra Payton Talbott, pelo card do UFC 332, em Salt Lake City (EUA), Deiveson acompanhou as dramáticas cenas protagonizadas por Raoni no fim de semana passado e admite ter ficado preocupado. Mais do que isso, o ex-campeão, de 38 anos, afirmou que a situação serviu como um alerta para os próprios lutadores sobre a necessidade de conhecer os limites do corpo, especialmente em uma modalidade na qual os atletas são constantemente levados ao extremo.

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“Foi preocupante. A gente teve um cara que chegou no limite dele, o coração passou da zona vermelha. Eu sou um cara que me preocupo muito com isso, porque a idade está aí e a gente tem que estar sempre se cuidando, fazendo exames. Antes de sair da minha cidade, eu fiz exames para saber como o coração estava se comportando. Porque sendo lutadores de alto nível, a todo tempo o coração está no limite. E a gente tem que se conhecer também“, declarou Deiveson.

Deiveson aponta possível causa

Embora não exista, até o momento, uma confirmação médica sobre o que causou o mal súbito de Raoni, Deiveson acredita que um dos fatores que podem ter contribuído para o episódio seja a dificuldade de controlar a respiração durante momentos de alta intensidade. O ex-campeão do UFC destacou especialmente a dinâmica da luta agarrada, área em que o compatriota costuma atuar com frequência.

“Acho que o momento em que o Raoni começou a sentir isso, de muita pressão no coração, era para ele buscar se movimentar em cima do octógono, respirar, descansar um pouco mais. Até mesmo é o papel dos treinadores fazer isso: ‘Se movimenta, respira, não esquece de respirar’. Às vezes, o cara está fazendo apneia sem saber. No caso do Raoni, que é um grappler, o cara entra muito em queda. Então, muitas vezes, a gente faz apneia entrando. Talvez tenha sido isso que aconteceu com ele“, opinou o paraense.

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Conhecimento de causa

A identificação de Deiveson com o episódio vivido por Raoni vai além da preocupação de quem acompanhou o caso de fora. O veterano revelou que já sentiu algo parecido não só em lutas, mas também durante seus próprios treinos, e ressaltou a importância de usar a experiência adquirida ao longo da carreira para reconhecer os sinais do corpo antes que a situação saia de controle.

“Já passei (por isso). Até mesmo nos treinos. Mas é como eu falei: a gente tem que ser malandro, usar a experiência para que a gente não venha a cair nisso, nessa pressão, esse abafo que a gente sente. Nos treinos é agoniante. A gente tem que saber controlar as emoções para que a gente possa respirar, se movimentar e, ao se sentir bem, voltar a fazer o jogo de novo”, concluiu.

Membros da mesma geração do MMA brasileiro, Deiveson Figueiredo e Raoni Barcelos ostentam trajetórias diferentes nas suas respectivas carreiras. Enquanto o paraense atingiu o sucesso mais cedo, ao conquistar duas vezes o cinturão peso-mosca do UFC, o carioca ainda busca chegar ao topo da divisão dos galos (61 kg), e vinha em sua melhor fase no octógono mais famoso do mundo, com cinco vitórias seguidas, antes do mal súbito do último sábado.

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Nascido em Niterói (RJ), Neri Fung é jornalista e apaixonado por esportes desde a infância. Começou a acompanhar o MMA e o mundo das lutas no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, especialmente com a ascensão do evento japonês PRIDE.

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