Neste sábado (18), em Winnipeg, no Canadá, Márcio Barbosa faz sua aguardada estreia no UFC. Mas o duelo contra Denniz Buzukja, que reforça o card principal do evento, marca apenas o mais recente capítulo de uma longa e desafiadora história de vida do lutador brasileiro. De origem humilde no Amapá, ‘Ticotô’, como o pena-pena (66 kg) é conhecido, precisou se desdobrar em outras funções para manter vivo o sonho de se tornar um atleta de elite.
Natural de Santana (AP), Márcio teve o primeiro contato com as artes marciais ainda na infância, aos 13 anos de idade. Após se destacar no cenário regional, o brasileiro trabalhou em diversas frentes para conseguir manter seus compromissos de lutador. O principal trabalho foi o de ‘chapeiro’ na hamburgueria da família, onde também fazia um ‘bico’ de entregador. A batalha fora dos cages foi crucial para Ticotô conseguir se manter e, posteriormente, atingir o sucesso no esporte.
“Na época, lá na minha cidade, eu sempre trabalhei com hamburgueria, com lanches. Eu era ‘chapeiro’. Trabalhei dos 16 anos até os meus 20. Quando vim embora para o Rio de Janeiro, trabalhava de chapeiro, fazia lanche. Inclusive até hoje existe a lanchonete, que fica na minha casa. Quem toma conta hoje é a minha mãe, minha família. Era o que eu trabalhava, gosto de fazer lanche”, relembrou Márcio.
Ida para o Rio de Janeiro
A jornada de treinos nos tatames e de trabalho nos contraturnos durou até a chegada de uma figura crucial na carreira de Ticotô: Rafael Araújo. Após enxergar potencial no amapaense, o mestre o trouxe para o Rio de Janeiro, mais precisamente em Niterói, com as condições necessárias para Barbosa focar somente em sua evolução como lutador. Em um centro mais pulsante e com maiores oportunidades, a trajetória do jovem despontou.
Promessa feita ao pai
Em agosto de 2025, quando brilhou no programa ‘Contender Series’, Ticotô não somente garantiu uma vaga no UFC, mas como cumpriu uma longa promessa feita ao seu pai anos antes. Antes de migrar do Amapá para o Rio, Márcio prometeu para sua família que só retornaria após assinar com uma grande organização. Quase cinco anos depois, Barbosa fez uma surpresa para seu patriarca e protagonizou um reencontro emocionante (veja abaixo ou clique aqui).
“Mas vim embora para o Rio, foi quando eu larguei mão de tudo (para me dedicar à carreira). Foi quando eu falei para o meu pai que eu só voltaria para a casa depois de assinar com um evento (de MMA) grande. Fiquei quatro anos e meio sem ver a minha família. Foi quando eu consegui entrar no UFC, só depois que fui visitar minha família. Foi uma sensação de dever cumprido. Uma promessa que eu tinha feito e consegui cumprir. Não tinha avisado ninguém que iria para casa, aí fiz uma surpresa para ele no trabalho dele. Foi muito gratificante para mim, chegar lá, abraçar ele e falar: ‘Consegui!’. Era o sonho dele me ver lutando no UFC. Ele tirava de onde não tinha para me dar”, destacou o brasileiro.
Dom do nocaute
O fã de MMA que ainda não conhece Márcio Barbosa pode esperar grandes emoções neste sábado. Afinal de contas, o amapaense é dono de um cartel de 17-2 no MMA profissional. Mesmo competindo com 66 kg, Ticotô é conhecido pelo seu poder de nocaute, que ele classifica como um “dom”. Dos 17 triunfos até então, 14 foram ‘apagando as luzes’ de seus adversários – todas as vezes de forma precoce, ainda no primeiro round.
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