Acompanhar as lutas de Charles Oliveira se tornou sinônimo de uma verdadeira montanha-russa de emoções. Um dos atletas mais empolgantes e ofensivos do MMA profissional, o brasileiro normalmente, como diz o ditado, mata ou morre pela espada. No último sábado (7), entretanto, seus fãs assistiram uma versão mais temperada e cerebral dentro do octógono, diante de Max Holloway, na disputa pelo cinturão ‘BMF’ (mais casca-grossa). E tal comportamento pode ser explicado por um fator que vai além do âmbito esportivo: a presença em peso de sua família em Las Vegas (EUA), no card do UFC 326.
Em entrevista exclusiva à equipe de reportagem da Ag Fight após brilhar no UFC 326, Charles admitiu que a presença de seu Francisco e dona Ozana ‘in loco’ para acompanhar seu combate fez com que sua estratégia para o confronto fosse mais cautelosa. Sem correr os riscos que costuma correr em pé, o brasileiro deixou a veia ofensiva da trocação de lado e apostou no seu carro-chefe: a luta agarrada. Desta maneira, Do Bronx dominou completamente Holloway e garantiu o triunfo na decisão unânime dos juízes.
“Ter eles (meus pais) comigo, independentemente do local, é algo mágico para mim. Acho que por isso rolou esse fato de não querer errar (na luta). De estar mais consciente e tranquilo (no octógono). São muitos anos aqui (no UFC), indo e vindo, e sem a oportunidade de conseguir trazer eles. E conseguimos tirar os vistos, chegar até aqui (EUA). E chega tudo em um ‘timing’ muito louco. Minha mãe fez aniversário na sexta-feira, dia da pesagem. Meu pai faz dia 14 agora. Então tudo isso dá aquela pressão. Mas estava 100% bem e feliz, concentrado naquilo que tinha que fazer para poder ser coroado com esse cinturão”, destacou Do Bronx.
Exceção pela circunstância
Nos últimos dez segundos do combate, entretanto, o atleta da ‘Chute Boxe Diego Lima’ chegou a trocar golpes francos no centro do octógono. Mas segundo o próprio, até este momento foi protagonizado de caso pensado. Ciente da natureza do cinturão ‘BMF’ (atleta mais casca-grossa), Do Bronx revelou que atendeu um pedido de seu próprio adversário que, no fim do embate, pediu para que ele e Charles duelassem na trocação – talvez para levantar o público.
“Na realidade, ele (Holloway) estava comigo, só que eu não entendi que ele estava falando comigo. Pensei que estivesse falando com o juíz algo como: ‘Ele está grampeado e sem fazer nada’. Mas depois ele deu uma abaixadinha e falou: ‘Charles, dez segundos (para acabar a luta’. Aí pensei: ‘Ah, então tá bom, vamos. E fui para o meio’. Falou: ‘Charles, dez segundos, let’ s go’. E eu: ‘Vambora’”, relembrou o faixa-preta.
Com a conquista do cinturão BMF, Charles Do Bronx aumentou ainda mais seu legado e relevância dentro da categoria dos pesos-leves (70 kg). Oportunidades proveitosas podem pintar do mais recente triunfo, como uma eventual superluta contra Conor McGregor ou uma nova chance pelo cinturão linear diante do vencedor de Ilia Topuria vs Justin Gaethje. Agora, entretanto, o brasileiro preza pelo merecido descanso após 25 minutos de combate contra Holloway.
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