‘Durinho’ é o número um do ranking dos meio-médios – Carlos Antunes

No último sábado (30), Gilbert ‘Durinho’ derrotou Tyron Woodley, na sua maior atuação dentro do Ultimate, por decisão unânime, na luta principal do UFC Las Vegas. Com isso, o brasileiro se colocou como número um no ranking dos meio-médios do Ultimate e ficou perto de uma disputa de cinturão na categoria. Mas pouca gente sabe da importância de uma pessoa para esse triunfo importante. Trata-se de Vicente Luque, também atleta do Ultimate e que ficou de córner do compatriota.

Em entrevista ao podcast ‘Ag Fight MMA‘ (clique aqui ou veja abaixo), ‘Durinho’ revelou que Vicente foi fundamental para ele seguir uma estratégia durante o combate. Como o evento não tinha público, existia a possibilidade de Woodley escutar Henri Hooft, treinador do brasileiro, por ele falar inglês e poder tentar evitar alguns ataques. Dessa maneira, Luque entrou em ação e deu todas as coordenadas para o amigo fazer durante o confronto e o atual número um do ranking, seguiu à risca.

“Cheguei muito tranquilo e focado, com muita vontade de lutar, bem menos nervoso com o Demian. Até pelo perigo. Com o Demian eu entrei mais devagar, estava muito nervoso. Ele acabou que me derrubou, mas tranquilo, ele não ia me nocautear. Com o Woodley se eu entro devagar poderia ser nocauteado. Tive que mudar muito isso. Ouvi os córners do Demian, com o Woodley eu escutava mais ou menos, mas ouvia muito meu córner. O Vicente… Parecia que ele estava com joystick. Ele mandava eu chutar, eu chutava, falava para fintar, eu fintava. Fazia tudo que ele pedia. E como dava para o Woodley escutar, o Henri falava para mim, porque ele tem uma voz muito boa, mas o Vicente falava algumas coisas do Henri para o Woodley não entender. O Vicente foi meu principal córner para me passar toda a estratégia que eu tinha que fazer para o Woodley não entender”, explicou o atleta que acumula seis vitórias seguidas.

Outra tática que ‘Durinho’ adotou nesse embate foi de provocar Woodley. No intervalo de todos os rounds, o brasileiro buscava um contato visual com o adversário, para mostrar que estava inteiro fisicamente. Além disso, no fim do combate, chegou a abaixar a guarda e chamar o rival. O faixa-preta de jiu-jitsu explicou que seguiu conselhos de alguns integrantes de sua equipe para justificar essa postura.

“Estudei bastante ele e vi que isso era algo que o incomodava muito, ele não gosta disso. Eu tenho meus conselheiros de guerra, o Vitor Belfort, o Daniel (Mendes), o Ramon. Eles me ligam, falam que estão assistindo as lutas dele e mandam eu fazer isso, aquilo. Tem gente que quando me fala eu sigo. O Ramon e o Daniel me falaram que seu botasse uma pressão nele ele meio que entrega. Pediram para eu provocar para quebrar ele. Já tinha isso dentro de mim, mas não sabia como. O Tyron Woodley é aquele que faz bullying na escola. O cara que já vem pedindo dinheiro dos outros na merenda da escola. Então se tu não confrontar aquilo na hora, vai abaixar sempre a cabeça. Para matar isso, é mais confiança, antes de qualquer coisa. Só sua atitude faz ele te respeitar. E sabia com o Woodley teria que ser isso. Comecei a estratégia fazendo ele errar os golpes no começo. Mas depois eu não andei para trás e joguei uma bomba nele, que vi que ele sentiu. Daí já quebrei ele. Depois quando vi que ele estava todo cortado, decidi mostrar para ele que estava no gás tranquilo, e olhava no olho dele. Ele desviava. Mas olhei no telão e vi que estava observando. E daí surgiu a ideia de fazer todo round e afetando ele. Já queria fazer e quando vi que olhou para o telão para ver se continuava, segui isso”, contou.

No MMA profissional desde 2012, com 19 vitórias e apenas três derrotas, Gilbert ‘Durinho’ vive seu melhor momento dentro do Ultimate. Atualmente, o brasileiro acumula seis vitórias seguidas no UFC.