Um dos maiores pugilistas de sua geração, Esquiva Falcão se despediu possivelmente do objeto mais simbólico de toda a sua carreira nos ringues. Isso porque o boxeador brasileiro revelou de forma surpreendente que vendeu sua medalha de prata olímpica, conquistada nos Jogos de Londres (ING), em 2012. A notícia foi compartilhada pelo atleta capixaba através de suas redes sociais (veja abaixo ou clique aqui).
Sem esconder o baque pela própria decisão, Esquiva admitiu que ter negociado sua medalha de prata olímpica deixou uma mágoa em si próprio. Ainda em seu pronunciamento, o pugilista de 36 anos opinou que, no Brasil, os atletas olímpicos, mesmo os que obtêm maior destaque, normalmente são desvalorizados pelo grande público. Por fim, o filho do também boxeador ‘Touro Moreno’ deixou claro que a ausência da medalha não apaga sua trajetória naquela fatídica Olimpíada de Londres.
“Hoje me despeço de um dos maiores símbolos da minha vida: minha medalha olímpica. Minha maior conquista no boxe. Representa muito mais do que prata, representa a luta de um menino sonhador (…) Estou muito triste com isso, essa decisão que tomei doeu muito. Porque essa medalha carrega parte da minha alma, minha família. Não é apenas uma medalha. Essa decisão me fez refletir sobre uma realidade dura do nosso país. Muitas vezes o atleta olímpico não recebe o devido valor. Mesmo após o pódio, falta apoio, valorização. Vender essa medalha não apaga minha história, porque o verdadeiro valor nunca esteve no metal, e sim em tudo que ela simboliza”, relatou Esquiva.
Motivo da venda
Assim que anunciou a bomba da venda da medalha, muitos fãs e seguidores se questionaram sobre a motivação por trás da decisão. E, ao contrário do que a maioria especulava, Esquiva não optou em negociar o objeto para lá de simbólico por dificuldades financeiras graves. O pugilista aceitou a oferta para investir em sua própria academia e garantir um futuro mais equilibrado para sua família. O valor da compra e a identidade do comprador permanecem em sigilo, conforme o próprio destacou em entrevista ao ‘ge.globo’.
“Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Dívida todo mundo tem, né? Um pai de família com três crianças tem dívidas. Mas esse não foi o motivo da venda. Hoje eu tenho uma reserva, não é muito, mas tenho. Um dos motivos pelos quais eu vendi a medalha foi porque quero abrir a minha própria academia. Hoje tenho uma, mas o lugar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor aos meus filhos. Quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo. Negociamos o valor, não vou falar porque combinamos. Também não vou falar o nome da pessoa porque não tenho autorização. Mas foi um valor que vai me ajudar muito na construção da minha academia, na base da minha família”, explicou o atleta capixaba.
Registro de Esquiva no boxe
Hoje aos 36 anos, Esquiva Falcão é um dos pugilistas mais importantes em atividade do país. O brasileiro conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de 2012 e, ao longo dos anos, construiu um cartel de peso composto por 32 vitórias e apenas duas derrotas. No boxe profissional, o pugilista capixaba iniciou sua trajetória em 2014 e, depois de uma longa caminhada, chegou a disputar um título mundial em 2023, mas acabou derrotado pelo alemão Vincenzo Gualtieri, em duelo válido pelo cinturão peso-médio (72,6 kg) da IBF (Federação Internacional de Boxe).
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