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Oleksandr Usyk (à esquerda) e Rico Verhoeven ficaram mais de dois minutos se encarando
Rico Verhoeven (à direita) foi derrotado de forma polêmica por Oleksandr Usyk no boxe - Reprodução/Internet

Boxe

Astro do kickboxing promete apelar de derrota controversa para Usyk no boxe

Ex-campeão peso-pesado do Glory e um dos maiores nomes da história do kickboxing, Rico Verhoeven ficou muito próximo de fazer história também no boxe. No último sábado (23), em sua primeira aparição no ringue da nobre arte como profissional desde 2014, o gigante holandês tinha chances claras de vencer Oleksandr Usyk, multicampeão mundial e uma das grandes estrelas da modalidade, mas uma polêmica interrupção do árbitro no 11º round deu a vitória ao ucraniano e colocou um ponto final no sonho do kickboxer, que prometeu recorrer do resultado final do combate.

Em entrevista ao ‘Boxing News’, pouco depois da disputa, Verhoeven reclamou da intervenção do árbitro central, que decretou o triunfo por nocaute técnico em favor de Usyk. Para ele, apesar de machucado pelos golpes conectados pelo rival ucraniano, o mediador do confronto se apressou e tomou uma decisão equivocada ao parar precocemente o duelo. Rico também alegou que a interrupção, inclusive, teria ocorrido após o tempo regulamentar do 11º assalto. Sendo assim, há grandes chances de uma apelação formal por parte da equipe do holandês.

“Eu acabei de ver o final por causa de todos os comentários que eu estava lendo, e eles pararam a luta depois do gongo. Então, o gongo soou e depois eles interromperam a luta. Então, sim, eu acho que nós vamos apelar contra isso porque não faz sentido, certo? Se a buzina toca, e depois eles param a luta – por que, sabe? Aí na minha hora de recuperar. Eu cheguei até a contagem de oito. Foi uma boa contagem de oito. Foi necessária, mas eu ouvi o clique e pensei: ‘Temos dez segundos (para o final do round). Então, só continua se movendo, guarda alta e engole uns golpes’. Sinto que era isso que eu estava fazendo”, ponderou Verhoeven.

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No contest ou papeletas

Caso tenha o pedido de apelação acatado pelos órgãos responsáveis, Rico entende que o resultado do confronto deveria ser alterado para ‘no contest’ – quando não há vencedor e a disputa termina sem resultado – ou para a decisão com base na pontuação das papeletas dos juízes até o momento da interrupção. Se escolhida, a última opção também promete gerar controvérsia no meio do boxe.

Isso porque na opinião de boa parte dos fãs e especialistas, o holandês vinha, surpreendentemente, dominando as ações no confronto e deveria estar confortavelmente vencendo o combate na opinião dos juízes laterais. Porém, na prática, antes do 11º assalto, duas das três papeletas apontavam empate entre Usyk e Verhoeven, enquanto a terceira mostrava o ex-campeão do Glory Kickboxing apenas um round à frente do ucraniano na pontuação.

Sendo assim, caso o resultado final da disputa de sábado seja alterado e as autoridades optem por seguir a pontuação dos juízes no momento da interrupção do duelo, provavelmente o ucraniano manteria sua vitória. Isso porque, com o knockdown aplicado no período, Usyk teria vencido o 11º round por 10 a 8 – o suficiente para colocá-lo à frente na pontuação das papeletas.

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“Então, para mim, foi por isso que, imediatamente, quando o árbitro veio, eu não estava tonto ou algo assim. Eu estava olhando para o árbitro tipo: ‘Por que você está parando? Estamos quase lá’. Não fez sentido para mim. Agora, olhando para trás, o árbitro deveria admitir seu erro… É um ‘no contest’ ou vamos para as papeletas (dos juízes). E eu acho que se formos para as papeletas, eu estava na frente”, concluiu Rico.

O surpreendente desenrolar do confronto, com o kickboxer provando seu valor diante de um dos maiores pugilistas de todos os tempos, e o desfecho polêmico, devido à intervenção do árbitro no 11º round, podem fazer com que Oleksandr Usyk e Rico Verhoeven voltem a se enfrentar no ringue da nobre arte. Ainda que não tenha nenhum anúncio oficial, os rumores já apontam para uma possível revanche entre os astros dos esportes de combate.


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Nascido em Niterói (RJ), Neri Fung é jornalista e apaixonado por esportes desde a infância. Começou a acompanhar o MMA e o mundo das lutas no final dos anos 90 e começo dos anos 2000, especialmente com a ascensão do evento japonês PRIDE.

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