Ex-campeão peso-leve (70 kg), recordista de finalizações, interrupções e bônus são apenas algumas das credenciais de Charles Oliveira dentro do Ultimate. E neste sábado (7), o brasileiro pode aumentar ainda mais a lista de feitos dentro da principal liga de MMA do mundo – e com direito a conquista inédita. Afinal de contas, na luta principal do UFC 326, em Las Vegas (EUA), diante de Max Holloway, ‘Do Bronx’ compete pelo cinturão ‘BMF’ (atleta mais casca-grossa) de olho em ampliar ainda mais seu legado e impacto na modalidade.
A sigla BMF quer dizer ‘Baddest Motherfucker’, uma expressão em inglês atrelada a uma pessoa durona, intimidadora – geralmente implicando que este indivíduo é formidável em uma área específica, como, neste caso, os esportes de combate. Até aqui, o cinturão simbólico reuniu apenas atletas populares e empolgantes dentro do octógono em rota de colisão. Caso tenha o braço erguido no UFC 326 deste sábado, Charles Oliveira se tornará o primeiro brasileiro da história a conquistar tal título e alcunha na empresa – e apenas o quarto atleta dentre todas as nacionalidades.
“Para o meu legado, isso é algo gigante. É mais um cinturão, mais uma conquista. Já me sinto um ‘BMF’ desde pequeno. Cada um pensa de uma forma, tem gente que é o cara que nasceu para isso, que fala mais palavrão, que mais xinga, o mais brigador. Eu creio que não. Pela minha história, pelo meu legado, por todas as conquistas que já tive, isso me faz me tornar um ‘BMF’. E, com certeza, vencer isso é algo muito gigante para mim”, frisou o faixa-preta, em entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight.
Cinturão BMF pode abrir portas
Além de ampliar o legado e consolidar de vez o status de Charles como uma das maiores estrelas em atividade no UFC, a conquista do cinturão BMF pode representar oportunidades futuras para lá de valiosas para o brasileiro. Uma delas, inclusive, já foi ventilada pelo seu próprio treinador. Em entrevista ao podcast ‘Direto de Vegas’, Diego Lima cogitou uma disputa com dois cinturões simultâneos em jogo – o que representaria algo inédito na história da companhia.
Dentro deste cenário, Do Bronx, já eventualmente sob posse do cinturão BMF, mediria forças contra quem estivesse com o título linear dos pesos-leves (70 kg) nas mãos. Outra possibilidade que pode ser encaminhada por a alcunha de mais ‘casca-grossa’ na equação é uma eventual superluta contra Conor McGregor. Do ponto de vista comercial, o irlandês representa o maior combate possível. E Charles, extremamente popular e com um cinturão simbólico consigo, seria um dos favoritos a recepcionar ‘Notorious’ em uma eventual volta à ativa.
Tudo ou nada
Se por um lado, uma vitória no UFC 326 destravaria inúmeras possibilidades atrativas do ponto de vista esportivo e comercial para Charles Do Bronx, por outro, uma derrota para Max Holloway pode limar de vez qualquer pretensão de título do brasileiro na organização. Aos 36 anos, o atleta da ‘Chute Boxe Diego Lima’ dificilmente conseguiria realizar o sonho de se tornar campeão novamente caso seja superado neste sábado.
E o desafio promete ser árduo para o faixa-preta de jiu-jitsu. Nas principais casas de apostas, Do Bronx desponta como azarão para a disputa diante de Holloway. Acostumado com o status de zebra, o grappler paulista tenta quebrar a banca mais uma vez. Um resultado positivo também ‘vingaria’ o revés sofrido para Max, em 2015, quando ambos ainda competiam nos pesos-penas (66 kg). Na oportunidade, o havaiano acabou levando a melhor após Charles se lesionar logo no princípio do embate.
Histórico do BMF até aqui
Criado em 2019, o cinturão ‘BMF’ foi colocado em disputa pela primeira vez no UFC 244, no Madison Square Garden, em Nova York (EUA), como forma de impulsionar o confronto entre Jorge Masvidal e Nate Diaz. Com o ator de Hollywood ‘The Rock’ presente para entregá-lo, o título simbólico ficou com Masvidal, que venceu o duelo contra Diaz por nocaute técnico.
Após a aposentadoria de Masvidal, o título BMF ficou oficialmente vago. Para disputá-lo, o UFC escalou dois atletas do peso-leve conhecidos por engajar em batalhas sangrentas: Justin Gaethje e Dustin Poirier. No dia 29 de julho de 2023, após nocautear de forma avassaladora seu rival, Gaethje se sagrou como novo campeão BMF do Ultimate.
Gaethje perdeu o título na sequência, em abril de 2024, nove meses depois de conquistá-lo, ao ser nocauteado por Max Holloway. O havaiano, por sinal, foi o único detentor do cinturão BMF, até o momento, a defender com sucesso a cinta. Em julho do ano passado, Holloway derrotou Dustin Poirier na luta principal do UFC 318, na decisão unânime dos juízes. Agora, ‘Blessed’ tenta manter o posto diante de Charles Do Bronx.
Siga nossas redes sociais e fique ligado nas notícias do mundo da luta: X, Instagram, Facebook, Youtube e TikTok